Aos sete meses, bebês já reconhecem crenças alheias

Notar que outros percebem o mundo de maneira diferente da sua é a base das interações sociais

iG São Paulo |

Divulgação/Science
Bebê durante experimento: entender que o outro pensa diferente é a base do convívio social
Objetivos e crenças são uns dos estados internos que guiam humanos em suas jornadas pela vida. A habilidade de deduzir intenções e crenças de outras pessoas, conhecida como “Teoria da Mente”, é a base das interações sociais, desde caça coletiva até justiça criminal. É assim que Agnes Melinda Kovács e colaboradores começam artigo que foi publicado hoje na revista especializada Science, mostrando que bebês com sete meses de idade são capazes de automaticamente codificar as crenças alheias. Embora estudos anteriores, usando uma variedade de métodos, tenham sugerido que crianças bastante pequenas poderiam ter as habilidades da teoria da mente, o consenso até pouco tempo era que só depois dos três ou quatro anos tais habilidades se consolidavam.

Os participantes tinham a tarefa de assistir a uma série de vídeos animados, com um personagem que lembra os azulados Smurfs entrando em cena, colocando a bola em cima de uma mesa. Em seguida, a bola rola para trás de uma parede baixa. Na presença do “Smurf”, a bola ou sai de trás da parede, ou rola e sai de cena, para que o personagem forme sua crença sobre o paradeiro da bola. Depois, na ausência do “Smurf”, a realidade ou permanece como está, ou muda. As condições sem mudança são chamadas de crenças verdadeiras: a bola que ficou atrás da parede continua lá e a bola que tinha saído de cena não volta. Já nas condições chamadas de falsas crenças, ou a bola que tinha ficado sai de cena ou a que tinha saído, volta. Tudo isso ainda sem o Smurf por perto. Na etapa final, o personagem volta, a parede abaixa, mostrando se a bola está lá ou não e os pesquisadores medem, por exemplo, o tempo que os bebês olhavam para as cenas.

Em cada experimento, a condição na qual o bebê e/ou o personagem acreditavam que a bola estava atrás da parede foi comparada à condição na qual nem o participante nem o agente acreditavam que a bola lá estava. Os pesquisadores estudaram também o comportamento de adultos em resposta aos mesmo filmes.

O tempo de reação tanto de adultos quanto de bebês era mais rápido quando a “crença” do smurf sobre a localização da bola batia com o paradeiro real da bola. Isso aconteceu mesmo quando o personagem deixou a cena. Kovács e colegas concluem que a mera presença de um agente - personagem nesse caso – dispara processos poderosos de computação de crenças que devem ser parte crucial de sociedades humanas.

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