Alteração na temperatura dos oceanos serve de previsão sobre incêndios na Amazônia

Pesquisadores descobrem método de previsão de incêndio com cinco meses de antecedência

Maria Fernanda Ziegler, iG São Paulo |

Science/AAAS
Desmatamento em Santarém, no Pará, durante a estação das secas em 20036
O que acontece na Floresta Amazônica tem total relação com o que se passa nos oceanos. Pesquisadores descobriram que a intensidade da estação de queimadas na Amazônia pode ser prevista com antecedência de cinco meses pela observação do aumento da temperatura da superfície dos oceanos Pacífico e Atlântico. Quando a temperatura da superfície do mar aumenta, afeta a circulação da atmosfera e ocorre menos chuvas, o que resseca a vegetação.

O grupo de pesquisadores de universidades americanas testou o método de previsão com dados sobre a seca de 2010, a pior dos últimos tempos na Amazônia . “No fim de 2009 e começo de 2010 houve um aumento de 0,2 graus no Atlântico Norte e 1 graus no Pacífico, em relação à média histórica. É incrível como o oceano está ligado a terra. E está tudo ligado ao El Niño”, disse ao iG Yang Chen, da Universidade da Califórnia e autor do estudo publicado esta semana no periódico científico Science.

Além da antecedência de cinco meses, o estudo também mostrou que é possível identificar as áreas onde a seca será mais severa. “Quando as águas do Atlântico Norte estão mais quentes ocorre mais incêndio no oeste da Amazônia. Quando ela aumenta no Pacífico Leste, os riscos de incêndio são maiores no sudoeste”, disse.

Os pesquisadores desenvolveram um modelo matemático baseado em comparações de dados de satélite da Nasa com a temperatura da água e a duração dos incêndios florestais nos últimos dez anos na América do Sul.

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Os pesquisadores afirmam que durante o século 21 as secas vão se intensificar e as florestas vão ficar ainda mais vulneráveis. “Com a informação prévia, governos podem se preparar para períodos de incêndios mais severos e disponibilizar recursos para o combate ao fogo, além de alertar a população sobre os riscos e evitar desmatamento”, disse Ruth de Fries, da Universidade de Columbia, que  participou do estudo.

A pesquisadora lembra que incêndios não ocorrem naturalmente em florestas tropicais úmidas. “Portanto, a combinação de pessoas usando o fogo para o manejo da terra e secas intensas é que determina o alto risco de incêndio”.diz.

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O grupo de pesquisadores agora pretende combinar os dados sobre os incêndios de 2012 e pretendem divulgar os dados no fim do ano. O próximo passo será estudar os modelos nas florestas da Sibéria, Indonésia e África.

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