Apesar da quantidade de informações sobre o assunto, na última década 6.161 jovens manifestaram a doença. Número representa 52% dos casos registrados desde 1980.

Os adolescentes são o grande alvo das campanhas de prevenção à Aids executadas pelo Ministério da Saúde durante esse período de carnaval. A escolha dos jovens como público alvo principal não é à toa. As últimas estatísticas da doença demonstram que a população de 13 a 19 anos merece atenção especial.

Igo Estrela/ Agência ObritoNews
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Entre 2000 e julho de 2009, foram registrados 6.161 casos de AIDS entre adolescentes dessa idade. O número representa 52,27% dos registros da doença feitos desde 1980 entre essa população. As estatísticas andam na contramão da quantidade de informação disponível hoje em livros, internet, revistas, jornais e na escola. Elas ainda não foram suficientes para conter o avanço da AIDS.

Apesar das informações disseminadas por todas as formas de divulgação, que atingem essa população, muitas vezes os jovens não seguem as orientações. Essas ações ainda são muito individualizadas, avalia Francisco Hideo Aoki, infectologista do Hospital das Clínicas e professor da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Para o médico, é preciso que as campanhas de prevenção voltadas para esse público sejam permanentes. As campanhas têm eficácia apenas nos períodos em que são veiculadas. Se não houver continuidade do processo, há grandes chances de as informações caírem no absoluto esquecimento, pondera Aoki. 

Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, reconhece que é preciso investir ainda mais em programas de prevenção para a juventude. Ele conta que o Ministério da Saúde estabeleceu parcerias com organizações da sociedade civil de diversos estados para elaborar materiais de divulgação direcionados aos adolescentes com linguagem mais próxima deles.

Barbosa ressalta que as campanhas têm de explorar a importância de os jovens não deixarem de utilizar a camisinha durante as relações sexuais mesmo que já tenham confiança no parceiro. Os números são preocupantes, porque ainda podem aumentar. O adolescente pode entrar em contato com o vírus agora e só manifestá-lo em 10 anos, reforça o diretor.

Meninas e gays preocupam mais

Os números da Aids divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que a maior parte dos casos da doença entre os jovens de 13 a 19 anos ocorreu entre as mulheres. A cada oito casos de meninos com a doença, há dez casos em meninas. Se a faixa etária analisada for ampliada dos 13 aos 24 anos, entre os dois gêneros a distribuição dos casos é semelhante. Porém, entre os homens dos 13 aos 24 anos, os mais atingidos pela AIDS foram os homossexuais.

Dos 6.161 adolescentes que manifestaram a doença entre 2000 e junho de 2009 registrados no Brasil, 3.713 eram meninas (60% do total). Entre os 2.448 meninos infectados no período, 39,2% adquiriram o vírus em relações homossexuais e 22,2% em heterossexuais. Para a coordenação dos programas de DST/AIDS do Ministério da Saúde, a dificuldade que os meninos gays encontram para conversar sobre sexualidade em casa e o preconceito que sofrem na rua faz com que não dêem a importância que deveriam à prevenção.

O Ministério da Saúde não possui estudos específicos e amplos que mostrem as causas do aumento dos casos de AIDS entre as meninas e os garotos homossexuais. Porém, Eduardo Barbosa, diretor-adjunto do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, acredita que, no caso das meninas, o machismo da sociedade reprime a busca da adolescente por proteção. A sociedade, que é machista, não aceita que a menina porte ou negocie o preservativo. Para o homem, ter preservativo é normal. Para ela, não, diz.

De acordo com a Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas da População Brasileira, lançada pelo Ministério da Saúde em 2009, 64,8% das entrevistadas entre 15 e 24 anos eram sexualmente ativas. Delas, apenas 33,6% usaram preservativos em todas as relações casuais que tiveram.

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