Adicionar líquido a uma mistura aumenta sua consistência

Estudo desvendou por que fenômeno acontece. Técnica pode levar a novos métodos de manufatura de materiais

Alessandro Greco, especial para o iG |

A situação é rotineira. Ao fazer uma calda de chocolate, uma pessoa decide adicionar um pouco d'água para deixá-la mais líquida e o contrário acontece: a calda engrossa. Este fenômeno que acontece todos os dias em diversos lares pelo mundo intrigou cientistas durante um bom tempo. Basicamente eles não entendiam por qual motivo as partículas de cacau, que estavam em suspensão na manteiga de cacau - os dois componentes do que chamamos de calda de chocolate -, se aglomeravam quando encontravam com a água.

Uma pesquisa realizada por Erin Koss e Norbert Willenbacher, do Instituto de Tecnologia Karlsruhe, na Alemanha, desvendou o mistério. Eles descobriram que o motivo de a calda engrossar está na capilaridade, fenômeno físico que faz, por exemplo, com que a água “suba” pelas paredes de um tubo muito fino.

Science/AAAS
Ao adicionar água, composto vai do estado praticamente líquido para estado de gel

“Ficamos muito surpresos que este fenômeno seja tão geral quanto aparenta ser. No passado muitos já haviam observado incidentes isolados em que a adição de um segundo fluido que não se mistura engrossa o sistema[...] mas é a primeira vez que podemos afirmar que isto acontece em diferentes combinações de partículas e fluidos e que a responsável é a capilaridade”, explicou Erin Koss ao iG.

A mudança de consistência devido à adição de um segundo líquido dá aos cientistas um novo parâmetro para controlar o efeito da capilaridade. Com ele é possível, por exemplo, criar misturas mais estáveis em que as partículas ficam suspensas por mais tempo e são mais fáceis de armazenar ou transportar. “Em diversos processos de manufatura, o fato de haver um espessamento é indesejável e agora sabemos como reduzi-lo ou evitar essa transição [para um estado mais espesso]”, afirmou Erin.

A adição de um segundo líquido também gera no composto uma rede porosa de partículas que abre novos caminhos na confecção de materiais “Podemos utilizar este método para criar novos materiais como espumas de alta porosidade [muito usada na construção civil para fazer isolamento térmico] utilizando componentes mais baratos”, afirmou Erin.

A pesquisa será publicada na próxima edição do periódico científico Science.

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