Acelerador de partículas dos EUA encerra atividades após 25 anos

Superado pelo LHC, o Tevatron, do governo americano, ajudou a popularizar as máquinas de ressonância magnética

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Tevatron: acelerador de partículas americano vai ser aposentado
Um poderoso acelerador de partículas americano, que foi o maior do mundo por quase um quarto de século, encerrou suas atividades nesta sexta-feira (30), solidificando a liderança europeia na Física.

O acelerador de partículas Tevatron começou a funcionar em 1985, sob os auspícios do Laboratório Nacional Fermi (Fermilab), e seu desligamento ocorre em um momento difícil para a ciência e para os programas espaciais americanos, cujos orçamentos têm sido reduzidos.

O Tevatron foi superado por um acelerador de partículas mais poderoso - o maior do mundo - o Grande Colisor de Hádrons, construído na fronteira franco-suíça pelo Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (Cern), um consórcio de 20 países-membros.

Durante o tempo em que esteve operacional, o Tevatron deu algumas contribuições importantes, entre elas a identificação do 'top quark', em 1995, e a descoberta do neutrino do tau, em 2000, um fragmento do Modelo Padrão da Física difícil de detectar.

Agora, a única parte do Modelo Padrão que ainda não foi detectada é o bóson de Higgs, popularmente conhecida como partícula de Deus. O Tevatron ajudou os físicos a rastrear sua possível localização, mas não conseguiu encontrá-lo.

O Tevatron, cujo custo operacional era de US$ 50 milhões ao ano, também levou a uma série de avanços concretos, o principal deles o uso disseminado de máquinas de geração de imagem por ressonância magnética (MRI, na sigla em inglês) para uso em diagnósticos médicos.

Apesar de seu fechamento, o Fermilab anunciou esperar apenas 5% de cortes de pessoal.

Físicos americanos agora se concentrarão em questões domésticas mais precisas - e menos custosas - e trabalharão com o CERN em projetos de alta energia, como a busca pelo bóson de Higgs.

"Na nossa área, não damos com a cabeça na parede se somos superados por outra máquina", declarou na semana passada Pier Oddone, diretor do Fermilab, que opera o Tevatron.

"A ideia é mudarmos para aquelas áreas nas quais podemos fazer as maiores contribuições para o conhecimento", acrescentou.

A cerimônia de fechamento estava prevista para as 14h00 locais desta sexta-feira (16h00 de Brasília).

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