Abacaxi e banana viram superplástico para setor automotivo

Material desenvolvido na Unesp torna plástico 30% mais leve e até quatro vezes mais resistente

iG São Paulo |

Um superplástico para carros feito com fibras retiradas de abacaxi e banana foi desenvolvido por pesquisadores brasileiros. Pequenas quantidades das fibras destas plantas quando adicionadas à plásticos resultam em materiais muito mais leves e resistentes. Segundo Alcides Leão, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), as propriedades desse plástico são "incríveis".

"Eles são leves, mas muito fortes - 30% mais leves e entre três e quatro vezes mais fortes", afirma o pesquisador. De acordo com ele, o plástico poderá ser usado na fabricação de diversas partes de carros, como para-choques e painéis. 

O plástico criado tem outra vantagem: como deixar os carros mais leves, levar a uma economia de combustível. Leão afirma que esses plásticos poderão ser usados em dois anos.

“O resultado tem a ver com o tamanho das nanopartículas. O fato de ser pequena dá mais interação entre as fibras, diminui a distância entre elas, tornando-as mais resistentes e leves”, disse Leão.

O processo para produzir o material chamado nanocelulose é caro, mas a matéria prima é baratíssima. Estima-se que um quilo de fibra de fruta custe apenas um real. Para preparar a nanocelulose a partir da fibra das frutas, os pesquisadores inserem as folhas de abacaxi ou parte do trtonco da bananeira em um equipamento semelhante a uma panela de pressão. Em seguida, adicionam alguns produtos químicos para as plantas. O material é aquecido em vários ciclos e o resultado é um material semelhante ao talco.

Em 2009, outro brasileiro, o professor de engenharia química Leonardo Simon, mostrou na Universidade de Waterloo, no Canadá, que a palha do trigo poderia fazer parte de peças de veículos e substituir materiais não renováveis obtidos por meio da mineração. A palha é uma alternativa viável ao uso de carbonato de cálcio, talco e mica.

Transformada em um pó, ela é misturada com polipropileno (plástico) e pode formar peças tanto para a parte interna quanto para a externa dos veículos. No ano passado, o novo plástico já era utilizado em algumas peças do carro Ford Flex.

(Com informações da Agência Estado)

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