A sexta grande extinção parece estar a caminho

Pesquisadores concluíram que a perda de espécies na taxa atual pode levar à extinção em massa em um período de 600 a 22 mil anos

Alessandro Greco, especial para o iG |

Nos últimos 540 milhões de anos, a Terra passou por 5 grandes extinções em massa nas quais 75% das espécies do planeta foram varridas do mapa. Já atualmente a perda de espécies no mundo está em ritmo acelerado, e se nada for feito, pode chegar a ser um evento catastrófico do porte como o que varreu os dinossauros da Terra há cerca de 65 milhões de anos, segundo pesquisa publicada nesta quarta-feira (2) pelo periódico científico Nature.

“Até agora perdemos apenas uma pequena porcentagem de espécies, ou seja, ainda podemos salvar a maior parte da biodiversidade da Terra. Esta é a boa notícia. A má é que mesmo da forma conservadora com que fizemos a comparação entre a crise de extinção atual e a que ocorreu nas cinco grandes extinções em massa passadas, a taxa de agora é muito maior. Se as espécies classificadas atualmente como em perigo de extinção forem realmente extintas e a taxa de extinção continuar inalterada, a sexta grande extinção poderia ocorrer em um período tão pequeno como entre 600 e 22 mil anos”, explicou ao iG Anthony Barnorsky, principal autor do artigo, da Universidade de Berkeley, na Califórnia, Estados Unidos.

Barnorsky alerta para a necessidade de mudar a velocidade com que a Terra está perdendo espécies. “É essencial que diminuamos a taxa de extinção atual”, afirmou ele. E esta tarefa cabe basicamente à espécie humana. “Já que somos os responsáveis por estar levando à sexta extinção em massa também temos o poder de evitá-la. As causas do que está acontecendo são fragmentação do habitat (causado por ações como o desmatamento desmedido), espécies invasoras que se movem pelo planeta, mudança climática causada pelo homem e o aumento do número de pessoas no planeta. Podemos evitar a sexta extinção controlando essas causas com esforços locais e globais”, completou ele.

No caso da sexta extinção em massa realmente ocorrer o mundo ficaria muito, muito pobre. Com a morte de três quartos das espécies existentes hoje, provavelmente não haveria mais comida devido à extinção dos ecossistemas das quais animais e plantas dependem para existir. “Os humanos provavelmente sobreviveriam. O problema é que o motor da crise atual é o uso excessivo dos recursos do planeta pela nossa espécie. Quando o limite do uso de recursos é ultrapassado, o tamanho das populações inevitavelmente diminui vertiginosamente. Não me surpreenderia se as populações humanas também fossem seriamente afetadas por esta diminuição. Logo provavelmente sobreviveríamos como espécie, mas em um mundo muito mais pobre e após ver uma grande restrição no tamanho da população humana global”, completou Barnorsky.

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