Evento em colina de Roma celebra a primeira exibição pública do telescópio astronômico usado pelo grande cientista

Mulher admira astrolábio de 1616 durante a celebração de Galileu
AP
Mulher admira astrolábio de 1616 durante a celebração de Galileu
Quatrocentos anos depois de Galileu Galilei ter, pela primeira vez, apresentado seu telescópio aos intelectuais de Roma, no topo de uma colina, o astrônomo condenado pela Igreja Católica foi celebrado, no mesmo local, com uma mostra multimídia que incluiu uma instalação do Vaticano.

Heliógrafos, astrolábios e outros instrumentos antigos que pertencem ao Observatório do Vaticano foram exibidos ao lado de arte contemporânea inspirada por Galileu e sua ciência: fileiras de luzes intensas, simulando o Sol; uma performance de um músico tibetano tocando uma tuba semelhante a um telescópio.

O evento teve lugar na noite de quinta-feira, 14, na Academia Americana de Roma, um centro de pesquisas sobre artes e humanidades cujos jardins ficam no local exato onde, na noite de 14 de abril de 1611, Galileu mostrou seu telescópio, pela primeira vez, aos mais importantes estudiosos de seu tempo.

Galileu havia criado o primeiro telescópio astronômico, e com ele reuniu provas de que a Terra gira em torno do Sol. Os ensinamentos da Igreja, na época, punham a Terra no centro do Universo. O clero denunciou a teoria galileana como perigosa para a fé. Julgado por heresia, ele foi forçado a retratar-se em 1633, e passou o resto da vida em prisão domiciliar.

O caso Galileu ajudou a disseminar a percepção de que a Igreja Católica é hostil à ciência, impressão que o Vaticano vem tentando desfazer desde então.

O Observatório do Vaticano, com bases na Itália e nos EUA, é parte desse esforço. “Não se trata de ‘A Igreja era contra a ciência’”, disse o padre Guy Consolmagno, um astrônomo jesuíta. “A Igreja nunca fala com uma só voz sobre essas coisas”.

A demonstração de Galileu, há 400 anos, foi feita para cientistas jesuítas e para Federico Cesi, que havia fundado uma importante academia de ciências.

“De certa forma, este foi um ponto alto para Galileu: ele é aceito pelos jesuítas do Colégio Romano, que eram autoridades em ciência e religião. Ele é aceito pelo príncipe Cesi, que é uma autoridade entre a nobreza”, disse Consolamagno.

Há quatro séculos, o jardim da academia era um vinhedo de propriedade de um amigo de Galileu, que autorizara o astrônomo a usar o local, acima da cidade, para mostrar aos eruditos reunidos o que um telescópio poderia revelar a respeito do céu noturno.

(com informações da AP)

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