Após 500 anos, cientistas descobrem doença que matou quase 20 milhões de astecas

Especialistas analisaram 29 esqueletos encontrados em um cemitério asteca e encontraram uma possível bactéria causadora da epidemia no século 16
Foto: Creative Commons/Pixabay
A população asteca foi quase completamente dizimada no século 16, e agora, cientistas descobriram sua possível causa


Os astecas, que habitavam a região do atual México, tiveram 80% de sua população dizimada na metade do século 16 por causa de uma doença misteriosa. Chamada de “cocoliztli” pelos locais, a natureza da condição era desconhecida, até que cientistas encontraram amostras de DNA que podem ter desvendado o mistério.

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De acordo com o The Guardian , um estudo publicado nesta segunda-feira (15) descartou as hipóteses da doença enigmática ser sarampo, gripe, caxumba ou varíola ao identificar uma febre entérica na evidência genética. Agora, acredita-se que a samonella foi a responsável por matar mais de 15 milhões de astecas entre 1545 e 1550.

“A cocoliztli foi uma das maiores epidemias a atingir o México depois da chegada dos europeus, mas foi especialmente a segunda ou terceira praga mais devastadora que deixou um dos maiores número de vítimas”, explicou Ashild Vagene, da Universidade de Tuebingen, na Alemanha.

Com sintomas que iam de febres altas e dores de cabeças até sangramentos pelos olhos, narinas e boca, a doença matava suas vítimas em cerca de três ou quatro dias. Ao longo de centenas de anos, os cientistas tentaram entender o que acontecera com a civilização asteca, e agora é a primeira vez que evidências foram, de fato, encontradas.

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Bactéria salmonella enterica

Os colonizadores europeus trouxeram a salmonela consigo quando chegaram às regiões americanas. Como as populações locais nunca tinham entrado em contato com a bactéria causadora da doença, não possuíam imunidade para combatê-la, e, por isso, foram contaminados e vitimados em massa.

A natureza da doença, que permaneceu um mistério durante centenas de anos, pode agora ter sido descoberta a partir da análise de 29 esqueletos. Enterrados em um cemitério de vítimas da cocoliztli, eles apresentaram traços da bactéria salmonella enterica, a causadora de febre entérica.

“Fizemos testes para todas as patogenias bacterianas e DNA de vírus para os quais existem dados disponíveis. E a salmonella enterica foi o único germe detectado”, explicou Alexander Herbig, coautor do estudo.

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Entretanto, é possível que alguns agentes causadores não tenham sido detectados ou sejam desconhecidos. “Não podemos dizer com certeza que a salmonella enterica foi a causa da epidemia cocoliztli [nos astecas], mas acreditamos que ela deve ser considerada uma forte candidata”, disse Kirsten Bos, também membro do time.

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