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No hemisfério sul, o verão começa nesta quinta-feira (21), às 14h28, e a estação é determinada pelo fenômeno astronômico chamado solstício

O chamado solstício de verão é um fenômeno astronômico que determina o início da nova estação nesta quinta-feira (21)
Camille Carboni - iG São Paulo
O chamado solstício de verão é um fenômeno astronômico que determina o início da nova estação nesta quinta-feira (21)


O verão começa nesta quinta-feira (21), no hemisfério sul, exatamente às 14h28. Além dos clichês sobre o "período mais quente do ano", que tal conhecer um pouco mais sobre o fenômeno que marca o início desta estação amada por tantos? Chamado de solstício de verão, o evento acontece por uma combinação de fatores: o eixo de rotação da Terra, a posição dos hemisférios e a incidência da claridade solar sobre o planeta.

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Os solstícios, que marcam a chegada do verão e do inverno, ocorrem quando um hemisfério recebe mais luz solar do que o outro. O chamado solstício de verão , que ao sul da Linha do Equador acontece todos os anos entre os dias 21 e 23 de dezembro, é o fenômeno responsável por marcar a entrada desta nova estação. 

De acordo com a física Silvania Sousa do Nascimento, professora da Universidade Federal de Minas Gerais e coordenadora do Núcleo de Astronomia do Espaço do Conhecimento UFMG, se tomarmos como parâmetro o hemisfério sul, o solstício acontece “no dia do ano que o Sol nasce mais ao sul do nosso ponto de referência, quando teremos uma trajetória que resulta no máximo de tempo de luz solar em nosso hemisfério”.

Isso acontece por causa da nossa posição no planeta e da inclinação do eixo de rotação da Terra. Uma vez que a inclinação varia ao longo do ano, a forma como os raios solares atingem as regiões da Terra também não será igual. “A mudança regular na trajetória do Sol na esfera celeste é resultado do movimento de translação ao redor do Sol”, explica Nascimento.

Como consequência, todos os anos temos uma data em que os raios solares incidem verticalmente sobre o Trópico de Capricórnio. Este será o dia com o maior período de claridade do ano e o indicador da chegada do verão. 

O contrário acontece em junho, também entre os dias 21 e 23, quando o solstício de inverno marca a entrada da estação nos países ao sul da Linha do Equador. Ele é determinado pelo dia mais curto do ano, ou seja, com o menor período de claridade, quando o Sol incide verticalmente sobre o Trópico de Câncer, no hemisfério norte.

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É possível observar o fenômeno?

Muito antes do desenvolvimento da astronomia moderna, civilizações antigas já percebiam as mudanças na forma como o Sol se comportava ao longo do ano. "O mais interessante é que a humanidade, em diferentes culturas, conhece essas diferenças e as explicam com diferentes modelos", pontua a física. 

A história guarda inúmeras narrativas e tradições populares que tinham como protagonista o movimento do sol, mas, além disso, sítios astronômicos como Stonehenge, na Inglaterra, datado de 3.000 a.C a 1.500 a.C, foram construídos de forma a garantir uma ótima observação de fenômenos como os solstícios. Em Newgrange, por exemplo, construído na Irlanda em 3.200 a.C, o solstício de inverno ilumina o corredor e a câmara central do sítio. 

Hoje em dia, outros métodos são utilizados para observar tais eventos astronômicos . Como os solstícios são os dias em que o sol está mais distante do leste, no amanhecer, e do oeste, no poente, é possível usar os estes momentos para perceber o fenômeno. "Se não quisermos nos levantar cedo para observar o solstício, temos a oportunidade de acompanharmos o pôr do Sol do dia mais longo do ano", a professora dá a dica.

Observatórios naturais organizam algumas estruturas para facilitar a constatação do evento. É comum o posicionamento de pirâmides e outros conjuntos de pedra, voltados para o leste e para o oeste, que direcionam a observação. 

Mas é preciso tomar cuidado: não podemos olhar diretamente para o Sol sem filtros adequados para este ato.

E o que é um equinócio?

Enquanto os solstícios marcam o verão e o inverno, os equinócios são os responsáveis pela entrada do outono e da primavera . De acordo com Tânia Maris Pires Silva, coordenadora do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o fenômeno “é o momento em que o Sol incide com maior intensidade sobre as regiões que estão próximas da linha do Equador”.

O Sol passa exatamente no meio da Terra e os dois hemisférios do planeta – norte e sul – recebem a mesma quantidade de luz, o que resulta em dias quase simétricos, o que já é anunciado pela origem da palavra. Afinal, 'equinócio' vem do latim aequinoctium , que une aequus : igual; e nox : noite.

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Assim como no solstício de verão – ou no de inverno – o fator determinante para os fenômenos é a posição do eixo da Terra em relação ao Sol , que define a distribuição da luminosidade solar e marca a entrada de uma nova estação.

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