Espécie de animal, que poderia ter a capacidade de sobreviver tanto em meio aquático quanto em terra firme, teria habitado a Terra há 70 milhões de anos

O dinossauro é da espécie Halszkaraptor escuilliei
Reprodução/The Guardian
O dinossauro é da espécie Halszkaraptor escuilliei

Um estudo publicado na última quarta-feira (6) na revista Nature revelou a descoberta de uma nova – e bem diferente – espécie de dinossauro. Com o pescoço de um cisne, antebraços de nadadeiras, focinho de pato e patas de velociraptor (um gênero de dinossauros), o animal tinha a rara capacidade de sobreviver tanto na água quanto em terra firme.

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Segundo o The Guardian , o fóssil foi encontrado na região da Mongólia e analisado por cientistas do European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), localizado na França. De acordo com os testes, acredita-se que o dinossauro  viveu entre 71-75 milhões de anos atrás, durante o período Cretáceo, no deserto de Gobi.

“O que é muito especial sobre este animal é que ele tem uma aparência muito estranha. Não se parece com nenhum outro do grupo conhecido até agora”, explicou Vincent Fernandez, um paleontólogo do ESRF e co-autor da pesquisa.

O animal, que mostra características de um anfíbio e tem o mesmo tamanho de um pato-real, recebeu o nome Halszkaraptor escuilliei. Suas peculiaridades deixaram os cientistas responsáveis muito surpresos, o que os levou a realizar um número muito grande de testes para garantir que o fóssil não é uma “quimera” formada por vários esqueletos diferentes.

Um scanner de alta resolução, que usa a radiação produzida por um acelerador de partículas, foi utilizado para explorar o fóssil mesmo que ele ainda esteja parcialmente preso a uma pedra. Como resultado, os cientistas confirmaram que o esqueleto pertence a um único animal e também descobriram outros detalhes escondidos.

O formato de seus dentes, por exemplo, é extremamente incomum e foi a primeira evidência de que o animal poderia ter um estilo de vida característico dos anfíbios. Semelhantes aos dentes dos crocodilos, tais estruturas apareceram em grande número na região da boca.

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Dúvidas sobre a autenticidade do esqueleto

"É um fóssil incrível", declarou o paleontólogo Stephen Brusatte, da Universidade de Edimburgo, que não está envolvido na pesquisa. Apesar da cuidadosa análise dos cientistas responsáveis, se mostrou preocupado com algumas questões.

 "Eu só tenho algumas dúvidas sobre se todo o material é um esqueleto genuíno", explicou. Ele também disse que é fácil identificar um fóssil falso, porém, falsificações modernas podem ser muito sofisticadas. "O que me deixa curioso é que o corpo realmente se parece com um dromaeosauridae, enquanto a cabeça lembra um alvarezsaur, outra espécie de dinossauros pequenos". 

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Por mais que Brusatte acredite que é possível que o fóssil seja autêntico, ele pediu cautela ao afirmar que as características anatômicas do animal seriam o suficiente para provar sua sobrevivência na água. "Eu não vejo nenhuma evidência clara de que o dinossauro era semi-aquático", declarou. "Existe um longo caminho até que isso seja provado".

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