Cientistas analisaram dados do satélite natural, das amostras trazidas nas missões Apollo 15 e 17, encontrando traços de “cristais de água" que teriam sido formados por uma explosão do magma do interior profundo da Lua

A teoria de que o interior da Lua seja rico em água levanta questões interessantes sobre sua formação
Nasa
A teoria de que o interior da Lua seja rico em água levanta questões interessantes sobre sua formação

Um novo estudo publicado na revista científica “Nature Geoscience”, nesta segunda-feira (24), aponta que foram encontradas evidências de partículas água em diversos depósitos vulcânicos encontrados na superfície da Lua. Assim, a teoria de que o manto lunar seja surpreendentemente rico em água ganha maior peso. As informações são do site “Phys”.

Leia também: Novo estudo contradiz principal teoria sobre formação da Lua

Pesquisadores do Departamento de Ciências Planetárias, da Terra e do Meio Ambiente da Universidade de Brown, nos Estados Unidos, analisaram dados do satélite natural, encontrando traços de “cristais de água" que teriam sido formados por uma explosão do magma do interior profundo da Lua .

Por muitos anos, os cientistas descartaram a ideia de que poderia ter havido água em solo lunar, uma vez que consideravam difícil que o hidrogênio, necessário para a formação da água, pudesse ter sobrevivido ao calor da explosão ocorrida quando um objeto do tamanho do planeta Marte se chocou com a Terra e, por fim, permitido a criação do satélite natural nos primeiros períodos do Sistema Solar .

Contudo, em 2008, essa ideia começou a ser refutada após uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade de Brown, como o geologista Alberto Saal, quem primeiro detectou traços de grandes quantidades de água no solo dos depósitos vulcânicos , trazido para a Terra pelos astronautas das missões Apollo 15 e 17.

Leia também: Durante esconde-esconde, garoto tropeça e encontra fóssil de um milhão de anos

“A chave da questão é saber se aquelas amostras trazidas pelas missões Apollo representam uma condição generalizada do interior lunar ou se apenas representam regiões não comuns ou anormais, ricas em água, diferentemente de um manto seco”, disse Ralph Milliken, autor que lidera a nova pesquisa, em associação ao departamento da universidade de Brown.

"Ao analisar os dados orbitais, podemos examinar os grandes depósitos piroclásticos na Lua que nunca foram amostrados pelas missões Apollo ou Luna. O fato de quase todos eles exibirem traços de água sugere que as amostras não são anômalas, então pode ser que o interior em massa do satélite seja úmido”, completa.

O cientista também aponta que a distribuição desses depósitos ricos em água é uma questão essencial a ser explorada. “Estão espalhados pela superfície, o que nos diz que a água encontrada nas amostras obtidas não é única. Assim, os piroclásticos lunares parecem ser universalmente ricos em água, o que sugere que o mesmo pode acontecer no manto”, explica.

Água e a formação do satélite natural

A teoria de que o interior lunar seja rico em água levanta questões interessantes sobre sua formação. Os cientistas acreditam que isso tenha acontecido a partir de detritos formados durante a colisão entre a Terra e um objeto das dimensões de Marte.

Leia também: "Baleia" é achada encalhada nas margens do rio Sena, em Paris, e gera polêmica

“A crescente evidência de água em solo lunar sugere que ela tenha, de alguma forma, sobrevivido a este evento, ou que tenha sido trazida ao satélite natural logo após o impacto de asteroides ou de cometas antes de a Lua se solidificar completamente”, disse o outro autor da pesquisa, Shuai Li, pesquisador pós-doutorado na Universidade do Havaí. “A origem exata da água no interior lunar ainda é uma grande questão”, finalizou.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.