"Parece com vinho": cientistas descobrem genes que determinam sabor da maconha

Pesquisadores encontraram aproximadamente 30 compostos aromáticos diferentes em espécies de cannabis; genes determinam o "sabor" da erva
Foto: Maj. Will Cox/Georgia Army National Guard
Genes de terpenos encontrados na cannabis determinam os sabores e aromas dos diferentes tipo de maconha

Pesquisadores conseguiram identificar quais são os genes responsáveis pelos sabores variados em diferentes plantas de maconha. Os cientistas estudaram o genoma de plantas de cannabis e isolaram compostos como o limoneno, responsável por aromas semelhantes ao do limão.

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A nova descoberta vai ter grande impacto no crescente mercado de maconha legalizada. Baseados na Universidade da Columbia Britânica, pesquisadores identificaram 30 genes que dão aos diferentes tipos de erva seus sabores cítricos, terrosos ou “de skunk”.

“O objetivo é desenvolver variedade de cannabis com características bem definidas e altamente reproduzíveis”, disse o professor Jörg Bohlmann. “É semelhante à indústria de vinhos, que depende de variedades definidas como chardonnay ou merlot para obter produtos de alta qualidade”.

Os cientistas analisaram genes de terpenos, que contribuem para os diversos sabores da erva. Terpenos são compostos responsáveis por características aromáticas. A produção de terpeno na cannabis aumenta de acordo com a exposição ao sol e eles são encontrados principalmente em flores de plantas fêmeas não fecundadas.

Ao longo do estudo, foram encontrados aproximadamente 30 genes sintase de terpeno, um número semelhante ao de genes que contribuem para a concepção de sabores em videiras para produzir vinhos.

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Pesquisadores notaram que os genes encontrados têm como função produzir terpenos naturais, como limoneno, mirceno e pineno em plantas de cannabis. “O composto limoneno produz sabores cítricos e mirceno gera um aroma úmido e terroso, característico da variedade 'purple kush'”, disse uma colaboradora da pesquisa, Judith Booth.

Eles também encontraram o gene que produz o terpeno típico da cannabis , o beta-cariofileno, que interage com receptores de canabidióis nas células humanas junto a outros ingredientes ativos da erva. O beta-cariofileno também pode ser encontrado em pimenta, lúpulo, manjericão e orégano.

O professor Bohlmann acredita que o potencial econômico de uma indústria da cannabis regularizada é enorme, mas um dos desafios é que os cultivadores trabalham com mudas que não são padronizadas e altamente variadas.

Canadá

Recentemente, o Canadá, que autoriza o uso medicinal da cannabis , divulgou que pretende legalizar a erva até julho de 2018 . “Existe a demanda para produtos consistentes e de alta qualidade feitos a partir de variedades bem definidas”, disse Bohlmann.

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O pesquisador acredita que será importante examinar até que ponto os terpenos interagem com compostos canabidióis tais como tetraidrocanabinol (THC), que dá características medicinais e entorpecentes à maconha.

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