Pesquisadores da Universidade de Harvard usam técnica revolucionária de edição genética para poder gerar filhote de mamute dentro de alguns anos

Extinto há aproximadamente cinco mil anos, mamute viveu na Ásia, África, America do Norte e Europa na Era do Gelo
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Extinto há aproximadamente cinco mil anos, mamute viveu na Ásia, África, America do Norte e Europa na Era do Gelo

Um filhote de mamute poderá nascer daqui a dois anos. Pode parecer maluquice ou história de ficção científica, mas é ciência. Pesquisadores acreditam que é possível, sim, gerar o primeiro mamute desde a extinção da espécie há cinco mil anos. O animal viveu na última Era do Gelo na Europa, Ásia, África e América do Norte.

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Especialistas da Universidade de Harvard garantiram que a ressuscitação do mamute se torna viável através de técnicas inovadoras de edição genética. Os incríveis avanços foram divulgados na maior conferência de ciências do mundo, em Boston.

Essa nova tecnologia reproduz, na vida real, o filme “Parque dos Dinossauros”, em que cientistas revertem a extinção dos dinossauros. No longa-metragem de 1993, o DNA dos dinossauros foi clonado a partir de material genético encontrado em um mosquito preservado em âmbar.

Já os pesquisadores de Harvard pegaram DNA de um mamute conservado no gelo da Sibéria. Isso permitiu que criassem células como genes correspondentes a características do animal, como o pelo longo, as camadas grossas de gordura e o sangue adaptado a temperaturas baixas. Essas células podem ser usadas para produzir um filhote.

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O professor George Church, chefe da equipe de pesquisa, afirma que o momento para gerar esse filhote ainda não chegou, mas em alguns anos poderá chegar. Seu time pegou o DNA do animal extinto e adicionou a células da pele do elefante asiático, seu parente vivo com maior proximidade genética.

Em seguida, as células de pele foram reprogramadas para se tornarem células-tronco, que tem as mesmas características das embrionárias, ou seja, podendo se transformar em qualquer tipo de tecido orgânico. O núcleo destas células, que contém o material genético, será colocado em óvulos do elefante asiático e, por fim, os cientistas transformarão o óvulo em um embrião através de estímulos elétricos ou químicos.

A gestação do óvulo será feita em um útero artificial e não por uma fêmea viva, já que o elefante asiático é uma espécie ameaçada e a gestação poderia afetar a fertilidade do animal. “Seria errado colocar a capacidade reprodutiva da fêmea em perigo em uma espécie em risco de extinção”, disse o professor Church.

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Objetivos da experiência

O projeto mamute tem dois objetivos: garantir uma alternativa segura para o futuro do elefante asiático e ajudar no combate ao aquecimento global. O animal pré-histórico pode prevenir o derretimento do pergelissolo (do inglês, permafrost) na Tundra e, assim, a liberação de gases de efeito estufa.

“Eles impedem o derretimento da Tundra porque golpeiam através da neve e permitem que o ar gelado suba. No verão, eles derrubam árvores e ajudam a grama a crescer”, explicou Church. Uma simulação de ecossistema descobriu que mamutes na Sibéria podem fazer com que as temperaturas caiam até 20 °C.