Astrônomos descobrem misteriosa névoa de 200 quilômetros de altura em Marte

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Vista pela primeira vez em 2012, névoa tem sido estudada; primeiras impressões mostram que ela pode ser tanto uma nuvem de partículas de gelo quanto uma aurora marciana

Uma misteriosa névoa com entre 200 e 250 quilômetros de altura têm instigado astrônomos pelo mundo. Descoberta a partir de fotografias tiradas entre março e abril de 2012, ela passou a ser estudada desde então e as primeiras conclusões dos cientistas acabaram sendo finalmente publicadas na nova edição da renomada revista Nature, na segunda-feira (16).

Imagem publicada na edição de segunda-feira (16) da revista Nature: mistério ainda sem resolução
Revista Nature/Reprodução
Imagem publicada na edição de segunda-feira (16) da revista Nature: mistério ainda sem resolução

A descoberta foi feita por astrônomos amadores, para os quais a névoa parecia saltar da superfície ao espaço. Mas um time de cientistas que estudaram o fenômeno nos últimos anos acredita na possibilidade de que seja uma nuvem de partículas de gelo ou uma aurora marciana. O grupo é liderado por Agustín Sánchez-Lavega, da Universidade do País Basco, em Bilbao, na Espanha.

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"Esta observação é uma grande surpresa", diz Aymeric Spiga, cientista planetário na Universidade de Pierre e Marie Curie de Paris, que não se envolveu no estudo. "É mais um quebra-cabeça para Marte."

A névoa apareceu pela primeira vez em 12 de março de 2012 e, nos 11 dias seguintes, ela mudou várias vezes de formato, ficando semelhante a bolhas, pilares, entre outras formas. Semanas se passaram e uma nova névoa apareceu, durando pouco mais de sete dias.

Veja fotos do planeta vermelho:

Marte sempre despertou interesse. A 1ª missão bem sucedida foi a 'Mariner 4', que sobrevoou o planeta em 1965. Na foto, dunas criam um desenho que parece uma tatuagem. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaFoto mostra camadas de diferentes tonalidades. No entanto, se você estivesse em Marte, talvez enxergasse outras cores nesta paisagem. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaMarte tem este nome em homenagem ao deus romano da guerra. Planeta tem coloração avermelhada por causa da alta concentração de óxido de ferro. No centro da fot. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaImagem mostra nuvens de poeira causadas por avalanche. Gelo de dióxido de carbono caiu de precipício de 2 mil metros e, provavelmente, foi derretido por raios de sol. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaNo polo sul do planeta vermelho, a paisagem é branca. Com temperaturas extremamente baixas, as extremidades do planeta são cobertas de gelo. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaImagem aérea se assemelha a veias e artérias. Cientistas acreditam que paisagem pode ter sido criada por água em estado líquido há milhões de anos atrás em Marte. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaA cratera de Victoria foi explorada por uma outra missão da Nasa. A 'Opportunity' passou cerca de dois anos, entre 2006 e 2008, coletando informações nesta região. Foto: NASA/JPL/University of ArizonaAs nuvens são de uma tempestade de areia em Marte. Cientistas estudaram este tipo de fenômeno para determinar o melhor local e a forma ideal de pouso do Curiosity. Foto:  NASA/JPL-Caltech/MSSSA foto mostra, delineado com um círculo preto, o local de pouso do jipe-robô 'Curiosity' nas proximidades da cratera de Gale. Foto: NASA/JPL-Caltech/MSSSNa foto, uma simulação de como foi o pouso do 'Curiosity' em Marte. Uma espaçonave amorteceu a decida do jipe-robô ao solo marciano. Foto: NasaAs primeiras imagens enviadas pela "Curiosity" foram assim, em preto e branco. Na foto grande-angular, é possível ver a sombra do próprio jipe-robô. Foto: Nasa/JPL-CaltechO Curiosity deve explorar Marte por pelo menos dez anos. Equipado com câmera capaz de identificar a composição de rochas, o jipe-robô tem geradores de plutônio capazes de fornecer energia por 14 anos. Foto: AP

A explicação mais simples é de que a névoa seria consequência de grandes tempestades de areia. Entretanto, no planeta o fenômeno não passa dos 50 quilômetros de altura – praticamente cinco vezes inferior ao que foi registrado nas fotografias.

Assim, as explicações mais plausíveis, ainda que não confirmadas, seriam a de que as névoas foram formadas por dióxido de carbono congelado – ou vapor de água – ou que sejam auroras (interação entre partículas de energia do Sol e do campo magnético do planeta), fenômeno já conhecido em Marte.

Por ora, a primeira parece ser a mais razoável.

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