Campus Party: Nicolelis diz que próximo passo é a comunicação entre cérebros

Por Emily Canto Nunes , iG São Paulo |

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Cientista brasileiro mostrou experiências de comunicação cerebral feitas com ratos e macacos

No início da tarde desta quarta-feira (4), o cientista Miguel Nicolelis fez sua palestra na Campus Party, evento de cultura digital que vai até sábado em São Paulo. Há 30 anos pesquisando a interface de comunicação cérebro-máquina, Nicolelis aposta na comunicação cérebro-cérebro.

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Nicolelis é um dos palestrantes de destaque da Campus Party
Emily Canto Nunes/iG
Nicolelis é um dos palestrantes de destaque da Campus Party

Ao público da Campus Party, o cientista contou que está trabalhando em experimentos com ratos e macacos cujos cérebros se comunicam entre si via um tipo específico de rede de dados.

Ratos em diferentes cidades do mundo foram capazes de se comunicar pelo cérebro e um induziu o outro a completar uma tarefa. Em outro experimento, também mostrado pelo cientista no palco do evento, três macacos se comunicaram cerebralmente para ganhar um jogo que só era possível de ser vencido caso os três animais trabalhassem em conjuto.

O cientista disse que esse é o próximo passo da sua pesquisa que começou com o seu interesse pelas tempestades cerebrais. "Esquecam seus teclados, no futuro a comunicação do homem com seus dispostivos será via cérebro, com a força do pensamento, será a internet mental, do cérebro".

Cientista explica polêmica do chute do exoesqueleto na Copa do Mundo

Em um discurso inflamado, o brasileiro disse que o chute dado pelo paraplégico Juliano Pinto com a ajuda de um exolesqueleto foi um "passo que vai mudar a neurociência". Nicolelis disse também que não sabe até hoje porque o a Fifa e a Comissão organizadora reduziram tanto o tempo de participação do seu experimento durante a transmissão da cerimônia na televisão.

"Ninguém na história da robótica teve apenas 29 segundos e apenas uma chance em cadeia internacional para fazer dar certo. Se a Fifa quisesse ter mostrado ela teria feito". O cientista brasileiro disse ainda que o verdadeiro chute com a ajuda do exoesqueleto aconteceu nos túneis do Itaquerão, quando, minutos antes da entrada das equipes, figurantes do show de abertura formaram um corredor e cantaram o hino nacional a capela para Juliano. "Durante os testes feitos com o exoesqueleto no estádio o Juliano acertou 55 dos 56 chutes testes. Se os jogadores de futebol brasileiros tivessem esse resultado eu não precisaria ouvir piadas nas palestras que faço ao redor do mundo", brincou.

Nicolelis foi responsável pelo exoesqueleto que deu chute inicial na Copa
YOUTUUBE/REPRODUCAO
Nicolelis foi responsável pelo exoesqueleto que deu chute inicial na Copa

Nicolelis disse também que seu objetivo com a Copa do Mundo era fornecer mais esperança para pessoas que perderam o movimento das pernas.

O cientista disse que mesmo que quisessem, os pacientes paraplégicos não teriam condições de andar num ritmo considerado normal uma vez que os músculos atrofiam e é até perigoso para eles forçarem o próprio corpo a fazer algo que ele desaprendeu. Ou seja, é possível enganar o cérebro com sensações táteis a partir da leitura de sinais neurais, mas o corpo não.

Nicolelis também compartilhou alguns resultados recentes do seu trabalho. Segundo ele, só o fato de os paraplégicos conseguirem ficar de pé muda completamente o quadro patológico dos pacientes.

Nos últimos meses, Juliano, que deu o chute na abertura da Copa, recuperou mais dois palmos de sensabilidade na medula espinhal. Sheila, outra paciente, passou a mover as pernas. Nicolelis contou também que ele e sua equipe descobriram que aumentando a velocidade do exoesqueleto os pacientes desenvolvem uma "sensação fantasma" de que são as próprias pernas que estão andando.

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