Cometa passará 'raspando' por Marte no domingo (19)

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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É a primeira vez que o Siding Spring visitará a Terra; o evento pode ser melhor visto do Hemisfério Sul e através de binóculos

Os céus vão hospedar um evento neste fim de semana que ocorre uma vez a cada um milhão de anos ou mais.

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AP
Imagem fornecida pela NASA mostra cometa C/2013 A1, também conhecido como Siding Spring, capturada pelo Telescópio Espacial Hubble (março/2014)


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Um cometa tão robusto quanto uma pequena montanha vai passar assustadoramente perto de Marte no domingo (19), aproximando-se a até 140.006 km.

Cinco exploradores robóticos da NASA em Marte - três sondas orbitais e dois rovers - estão sendo redirecionados para testemunhar a passagem do cometa Siding Spring em sua primeira visita ao interior do sistema solar. Também circulam o planeta vermelho uma nave espacial europeia e outra indiana.

A nave em órbita tentará observar a bola de gelo se aproximando e então irá se esconder atrás de Marte para se proteger de potencialmente perigosos detritos empoeirados da cauda do cometa.

Blindado pela atmosfera marciana, os rovers podem muito bem ter os melhores lugares da casa, apesar de que uma tempestade de poeira em Marte poderia obscurecer a visão da máquina.

"Nós certamente estamos de dedos cruzados pelas primeiras imagens de um cometa a partir da superfície de outro mundo", disse o cientista do programa da NASA Kelly Fast.

Em uma distância maior, o telescópio espacial Hubble já vigia a área por onde o fenômeno deve passar, assim como os observatórios terrestres.

"Estamos nos preparando para um conjunto espetacular de observações", disse Jim Green, diretor da divisão de ciência planetária da NASA.

Nomeado pelo observatório australiano usado para detectá-lo em janeiro de 2013, Siding Spring vai se aproximar de Marte por baixo na tarde de domingo, horário da costa leste do globo.

Na Terra, a melhor visualização será a do Hemisfério Sul através de binóculos e telescópios - África do Sul e Austrália estarão em posição privilegiada. No Hemisfério Norte será difícil ver Siding Spring.

O cometa - com um núcleo estimado em pelo menos 0,8 km de diâmetro - vem da Nuvem de Oort à margem extrema do sistema solar. Foi formado durante o primeiro ou segundo milhão de anos do sistema solar, de 4,6 bilhões de anos, e, até agora, não se aventurou mais perto do Sol do que, talvez, até as órbitas de Júpiter, Saturno, Urano e Netuno. O fenômeno acontece a cada um ou mais milhões de anos. Será o primeiro cometa da Nuvem de Oort a ser estudado de perto e em detalhes.

Veja fotos de outros cometas

O cometa Halley talvez tenha o formato mais conhecido. A foto acima foi feita no Peru em 1910, usando uma exposição de 30 minutos. Foto: Observatório de Harvard/SPLFoto após impacto da nave da Deep Impact que passou próxima do cometa mostra luz resultante da colisão e também detalhes da superfície do cometa. Foto: Nasa/JPL-Caltech/UMEsta imagem da superfície do cometa Tempel foi feita pouco antes do impacto. Foto: Nasa/JPL-Caltech/UMDA missão Stardust passou perto do cometa 81P/Wild em 2004, coletando amostras da nuvem de gás e poeira que o cometa produz quando se aproxima do Sol. Foto: Nasa/SPLEstas belas imagens do Tempel foram feitas em 2012, quando o cometa recebeu outra visita, desta vez da espaçonave Stardust, que tinha sido reativada. Foto: Nasa/JPL/CalTech/Cornell/Science Photo LibraryA imagem, feita de uma distância de mais de 3 mil km, mostrou parte do terreno do cometa e foi a foto mais clara já tirada de um cometa até aquela época. Foto: NASA/JPLA sonda europeia Rosetta entrou nesta semana na órbita do cometa 67P/Churyumov–Gerasimenko. A nave deverá pousar no cometa em novembro. Foto: Esa/Rosetta/NAVCAM

Para efeito de comparação, a distância de passagem de 140.006 km equivale a cerca de um terço do caminho daqui até a lua. A cauda de Siding Pring poderia se estender da Terra até a nossa lua. Sua camada gasosa, a cabeça felpuda ao redor do núcleo, pode esticar até a metade do caminho para a lua. Nenhum cometa chegou tão perto da Terra na história.

"Nós não podemos chegar a um cometa da Nuvem de Oort com nossos foguetes atuais e, de repente, esse cometa está vindo para nós", disse Carey Lisse, astrofísico sênior do Laboratório de Física Aplicada da Universidade de Johns Hopkins.

Ao estudar a composição e estrutura de Siding Spring, os cientistas esperam aprender mais sobre como os planetas se formaram, de acordo com Lisse. Os cientistas também estão ansiosos para detectar quaisquer alterações do cometa ou de Marte devido à abordagem tão próxima entre eles.

A recém-chegada sonda Maven, da NASA, por exemplo, irá comparar a atmosfera superior antes e depois de o cometa passar.

"Pense em um cometa que iniciou sua viagem, provavelmente, no alvorecer do homem e está chegando perto de nós somente agora", disse Lisse. "É a razão pelo qual podemos realmente observar porque nós construímos satélites e sondas postos agora em torno de Marte."

Siding Spring deve passar mais próximo do sol seis dias após seu sobrevoo por Marte e, em seguida, dar adeus ao sistema solar, pelo menos pelos próximos milhões de anos.

*Com AP

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