Cientistas americanos testam em ratos composto químico que possibilita o envio de sinais elétricos dos olhos ao cérebro

BBC

Um medicamento ainda em fase de testes poderá dar a cegos a capacidade de perceber a luz. Estruturas da retina conhecidas como cones e bastonetes são responsáveis pela reação à luz, mas essas estruturas podem ser afetadas e destruídas por doenças.

2013: Pesquisa com células-tronco traz esperança para tratamento da cegueira

Cientistas afirmam que serão necessários vários anos para testar droga em humanos
PA
Cientistas afirmam que serão necessários vários anos para testar droga em humanos

Estudo:  Comer peixe pode ajudar a prevenir cegueira

Um estudo dos pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley sugere que uma droga poderá dar a essas células no olho o poder de responder rapidamente à luz.

O olho é formado por camadas que incluem os bastonetes e cones. Outras camadas mantêm os bastonetes e cones vivos, além de transmitir os sinais elétricos produzidos pelas células sensíveis à luz para o cérebro.

Os cientistas se concentraram em um tipo de neurônio presente no olho, as células ganglionares da retina.

Eles desenvolveram um composto químico, chamado Denaq, que muda de forma em resposta à luz. Essa mudança de forma altera a química da célula nervosa e o resultado são sinais elétricos enviados ao cérebro. O estudo foi publicado na revista especializada Neuron.

Até certo ponto

Os testes mostraram que, ao injetar o Denaq nos olhos de camundongos cegos, os cientistas restauraram parcialmente a visão dos animais. Houve  mudanças no comportamento, mas não foi possível determinar o quanto os camundongos enxergavam.

2012: Medicamento restaura visão de ratos

O efeito da droga acabou rapidamente, mas os camundongos ainda conseguiam detectar a luz uma semana depois da aplicação.

"São necessários mais testes em mamíferos maiores para avaliar a segurança do Denaq no curto e no longo prazo. Serão necessários vários anos, mas, se a segurança puder ser estabelecida, esses compostos poderão finalmente ser úteis para restaurar a sensibilidade à luz em humanos cegos", disse Richard Kramer, um dos pesquisadores.

"Ainda precisamos ver o quão perto vão chegar de restabelecer a visão normal", acrescentou.

Os cientistas esperam que a droga possa, no futuro, ajudar no tratamento de doenças como a retinite pigmentosa e a degeneração macular relacionada à idade.

Para Astrid Limb, do Instituto de Oftalmologia do University College de Londres, o conceito do Denaq "é muito interessante, poder estimular as células que restam" na retina. "Mas ainda é preciso muito trabalho antes de essa pesquisa ser aplicada em humanos", afirmou. De acordo com ela, a duração do efeito da droga é outra questão que precisa ser resolvida.

A pesquisa dos cientistas da Universidade da Califórnia em Berkeley é mais uma de uma série de estudos que visa a restaurar a visão em casos de cegueira, juntamente com pesquisas com células-tronco e manipulação de DNA para corrigir problemas genéticos que levem à perda da visão.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.