Experimento com visitantes de museu revela que registrar fatos cotidianos todo o tempo arruína a capacidade humana de guardar recordações em sua mente

Em tempo de redes sociais e da ultraexposição da vida pessoal, fotografar se tornou mais do que um passatempo. Pois essa brincadeira, descobre agora a ciência, pode ser muito nociva para a memória humana.

O avanço tecnológico permitiu o acesso a diversos dispositivos fotográficos
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O avanço tecnológico permitiu o acesso a diversos dispositivos fotográficos

Um estudo publicado pela Universidade de Fairfield na revista Psychological Science aponta que a obsessão por registrar momentos do cotidiano está diretamente ligada à gradual perda de capacidade de guardar, na lembrança, recordações desses eventos.

"Quando as pessoas confiam na tecnologia para lembrar por elas, contando com a câmera para registrar acontecimentos e, portanto, sem precisar ficar atento totalmente a eles, isso tem um impacto negativo na forma como recordamos nossas experiências", afirma a psicóloga Linda Henkel, responsável pelo grupo que realizou a pesquisa. Veja abaixo as melhores fotos do jornalismo britânico eleitas em 2013:

O estudo, realizado num museu, consistiu em enumerar o quanto de obras de arte em exposição as pessoas - vorazes fotógrafas - se lembravam de terem visto em comparação a outro grupo, que não fotografou dentro do museu. O resultado é devastador para os amantes do registro da vida em tempo real.

"O grupo que fotografou teve muito mais dificuldades de apontar objetos expostos", disse Linda.

Um desdobramento do estudo também chegou a um resultado inesperado: fotografar, por meio da função zoom, detalhes de um objeto ajuda na memorização total dele, não apenas da parte escolhida pelo fotógrafo. "Esse resultado mostra que o olho da câmera não é igual ao da mente", disse Linda.

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