Orangotangos planejam e avisam suas viagens com antecedência

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Estudo mostra que grandes primatas na selva comunicam seus planos a outros machos e fêmeas do grupo

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  1. É o equivalente símio do Google Maps e Facebook. A noite antes de uma grande viagem, o orangotango Arno faz seus planos e deixa outros do grupo saberem para onde está indo com um berro longo e vigoroso.

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Orangotango Arno, nas florestas de Sumatra em 1998: comportamento de planejamento e aviso do grupo

O que ele e seus amigos orangotangos fazem nas florestas de Sumatra diz aos cientistas que planejamentos antecipados de viagem e redes sociais não são comportamento exclusivos dos humanos.

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Um novo estudo de 15 orangotangos machos selvagens descobriu que eles rotineiramente organizam as caminhadas dos dias seguintes e compartilham seus planos usando gritos demorados, assim as fêmeas podem acompanhá-los ou saberem onde estão, e machos concorrentes podem evitar encontrá-los.

Os pesquisadores acompanharam de perto os primatas durantes suas viagens por 320 dias, na década de 1990. Os resultados foram publicados na última edição do periódico científico PLoS One.

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Normalmente, um orangotango se virava na direção de sua rota e soltava um grito, às vezes por até quatro minutos. Então ele iria dormir e doze horas depois seguiria o caminho anunciado, disse o autor do estudo Carel van Schaik, diretor do Instituto de Antropologia da Universidade de Zurique.

"Esse cara basicamente pensa à frente", disse van Schaik. "Eles estão continuamente atualizando seus Google Maps, por assim dizer. Baseado nisso, eles estão planejando o que fazer a seguir. "

Os macacos não gritavam apenas uma vez, mas faziam isso repetidamente, mais de 1.100 vezes ao longo dos 320 dias.

"Isso mostra que eles são muito parecidos conosco nesse aspecto", disse van Schaik. "Nossos mais antigos ancestrais hominídeos devem ter feito a mesma coisa."

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Cientistas já tinha visto esse planejamento em zoológicos e experimentos controlados, mas este estudo fornece provas sólidas de planejamento de viagem no ambiente selvagem, disse Frans de Waal, da Universidade Emory, que não fez parte do estudo.

Van Schaik afirmou que ele e seus colegas descobriram os chamados por acidente há quase 20 anos, primeiro com o macho dominante Arno, que foi seguido pelo grupo por mais tempo que os outros 14 orangotangos. Eles esperaram para publicar os resultados porque achava que poucas pessoas acreditariam que os grandes primatas poderiam fazer esse tipo de planejamento. Mas, nos últimos anos, laboratórios e os estudos em cativeiro mostraram o mesmo comportamento.

Com base em estudos e monitoramentos anteriores, van Schaik compreendeu que o macho divulga seus planos para que a fêmea possam se juntar a ele ou ficar por perto. Algumas fêmeas pode querer ficar ao alcance no caso de serem assediadas por outros machos e precisarem de proteção. Outras podem vir para acasalar.

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