Jogar videogame pode melhorar memória de idosos, afirma estudo

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Jogo criado para pessoas acima de 60 anos pode ajudar na capacidade de realizar várias tarefas ao mesmo tempo

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The Gazzaley Lab
Voluntária jogando o NeuroRacer: melhoria das capacidades mentais mesmo depois de parar com o treinamento


Um jogo específico de videogame pode ajudar idosos a melhorar as habilidades mentais, como realizar várias tarefas ao mesmo tempo.

Voluntários saudáveis de 60 a 85 anos apresentaram melhoras na habilidade multitarefa, assim como manter o foco em uma atividade entediante e também na memória de curto prazo, aquela que se usa guardar um número de telefone até anotá-lo.

Todos essas capacidades normalmente vão diminuindo com a idade, como notou o Dr. Adam Gazzaley e seus colegas da Universidade da Califórnia, em um estudo que foi publicado nesta quarta-feira (4) no periódico Nature.

O estudo foi pequeno, com apenas 16 voluntários treinando em um jogo criado especialmente para o experimento. Gazzaley e outros especialistas disseram que será necessário fazer estudos maiores para avaliar se o jogo realmente pode ajudar as pessoas no dia a dia. Gazzaley é co-fundador de uma empresa que deseja desenvolver um produto a partir dessa pesquisa.

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A pesquisa é a mais recente indicação de que as pessoas podem ajudar a manter o poder cerebral à medida que envelhecem, por meio da atividade mental. Existem jogos de “treinamentos cerebrais” no mercado e também livros voltados a esse assunto. Gazzaley ressaltou que esses resultados não significam que qualquer videogame pode ajudar na performance mental. Segundo ele, o jogo foi criado para trabalhar habilidades específicas.

Chamado de NeuroRacer, ele consiste em fazer duas coisas simultaneamente. O jogador usa um joystick para guiar um carro em uma estrada montanhosa e cheia de curvas, dirigindo e controlando a velocidade. Ao mesmo tempo, no entanto, uma série de sinais coloridos aparece na tela. O jogador deve apertar um botão somente quando um tipo específico de sinal aparece. Os jogadores ganham pontos de acordo com a rapidez e precisão com que reagiram aos sinais.

O jogo progride para níveis mais difíceis de acordo com a evolução do jogador, de forma que a atividade seja sempre desafiadora.

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Em um experimento separado feito com 174 voluntários entre 20 e 79 anos, os pesquisadores descobriram que, quanto mais velhas as pessoas ficam, há uma maior interferência na performance na hora de reagir aos sinais apresentados.

Mas, para 14 de 16 participantes que jogaram o videogame em casa por um total de 12 horas ao longo de um mês, o treinamento diminuiu a quantidade dessas interferências. Eles se saíram melhor do que um grupo de pessoas com 20 anos que jogaram pela primeira vez.

Os progressos ainda eram visíveis mesmo depois de seis meses que os participantes pararam de treinar.

Os cientistas também descobriram mudanças na atividade das ondas cerebrais que se correlacionaram com a forma de como a melhora persistiu ao longo de seis meses, assim como o desempenho em testes de atenção para tarefas entediantes.

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Neurocientistas que não estavam ligados ao estudo disseram que pesquisas anteriores mostraram que idosos podem melhorar as habilidades mentais se forem treinados. O treinamento anterior, porém era tedioso, disse Elizabeth Zelinksi, professora de gerontologia e psicologia da Universidade do Sul da Califórnia.

Art Kramer, neurocientista da Universidade de Illinois em Urbana- Champaign, chamou o trabalho de um “primeiro passo promissor na direção de uma possível terapia”. Os cientistas ainda têm de demonstrar se os resultados vão funcionar com grandes grupos de voluntários, disse ele.

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