Cachorros são contagiados pelo bocejo de seus donos, diz estudo

Por The New York Times |

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Estudo feito com 25 cães demonstrou que eles conseguem identificar um bocejo falso do verdadeiro

Thinkstock/Getty Images
Cachorros estão mais propensos a bocejar de volta para aqueles com quem têm empatia

Um novo estudo mostra que, se a pessoa bocejar na presença do seu cão, ele provavelmente bocejará também.

A pesquisa – que consistiu em uma série de experimentos cuidadosamente controlados com 25 cães de diferentes raças – confirma que os cachorros estão mais propensos a "serem contagiados" com bocejos de seus donos do que com o de estranhos – e que também têm mais tendência a responder aos bocejos reais ao invés dos falsos. O bocejo falso é aquele em que a boca se abre e fecha, com o mesmo movimento de um bocejo, mas sem emitir sons.

Os pesquisadores também prenderam monitores de frequência cardíaca para certificar que os cães não estavam bocejando por estarem estressados ou ansiosos. A pesquisa comprovou que os motivos não foram esses.

"Nós tentamos criar uma atmosfera confortável para fazer esta experiência. Às vezes, era tão confortável que os cachorros adormeciam", contou Teresa Romero, autora do estudo e pesquisadora do departamento de Ciência Cognitiva e Comportamental da Universidade de Tóquio, no Japão. O estudo foi publicado em agosto no periódico PLoS One.

Embora a imitação de um bocejo possa não soar como um truque impressionante, os cientistas acreditam que ele seja sinal de algo importante, como a capacidade de empatia e vínculo que os cães têm com algumas pessoas.

Estudos anteriores mostraram que pessoas que, no experimento, tiveram maior pontuação no grau de empatia estão mais propensas a retornar o bocejo do que as pessoas que não são tão empáticas, e a capacidade de ter um bocejo contagiante parece se desenvolver com a idade.

"Vários estudos têm demonstrado que as crianças não começam a se contagiar por bocejos até cerca dos quatro anos de idade, e só atingem os mesmos níveis dos adultos em torno de 12 anos", explicou Elainie Madsen, psicóloga comparativa na Universidade de Lund, na Suécia, que estudou sobre o bocejo contagioso.

O bocejo contagioso parece ser um talento raro no reino animal. Alguns macacos, como os chimpanzés e bonobos (chimpanzé pigmeu) – que na teoria evolutiva tem grau de parentesco próximo dos seres humanos – bocejam e são contagiados pelos outros. Além dos macacos, uma espécie de ave parece ser capaz de bocejar de uma forma contagiante, e vários estudos recentes têm sugerido que o Canis familiaris, também conhecido como o melhor amigo do homem, pode ser capaz de ter também a mesma atitude.

Uma coisa que os pesquisadores não descobriram é o motivo de os cachorros bocejarem junto com os seres humanos.

"Existem várias hipóteses, mas a hipótese da empatia é a que tem recebido maior atenção nos últimos anos", disse Madsen. "Eu acho que as provas que apoiam essa hipótese estão se acumulando."

Ela disse que, a princípio, o bocejo contagioso tem provavelmente algo a ver com a coordenação e sincronização do comportamento do grupo.

Assim como o que aconteceu neste novo estudo, o estudo de Madsen sobre o bocejo contagioso em filhotes muitas vezes acalma os cães para dormir. A pesquisadora não acha que isso é um acidente. "Os cães internalizaram a emoção de que o bocejo reflete e basicamente coordena o seu comportamento com aquele que bocejou", explicou.

Os cães vivem em bandos e Madsen espera que todos os animais que vivem em grupos possam demonstrar a capacidade de serem contagiados pelos bocejos. De toda forma, os pesquisadores dizem que ainda é cedo para dizer se os gatos se importam se seus donos estão cansados.

"Eu acho que seria muito difícil estudar o efeito do bocejo contagioso entre humanos e gatos", disse Romero. "Eles não prestam muito atenção para nós".

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