Robô Curiosity analisa atmosfera de Marte

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Dados obtidos pelo jipe-robô da Nasa confirmam que planeta vermelho já teve condições de abrigar vida

Pela primeira vez, cientistas da Nasa conseguiram fazer análises químicas da atmosfera de Marte e recriar a evolução da atmosfera do planeta há bilhões de anos com a mesma precisão com que dados da atmosfera terrestre são estudados por aqui.

Os resultados sobre o planeta vermelho, obtidos pelo jipe-robô Curiosity, que está em Marte há quase um ano, confirmam o cenário ditado por estudos ainda dos anos 1970 realizados com a sonda Viking, e pela análise de meteoritos vindos de Marte: o planeta vermelho já foi muito mais amigável para a vida microbiana.

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As análises reforçam a teoria de que o planeta perdeu parte significativa de sua atmosfera há quatro bilhões de anos e que isto foi determinante para a formação de reservatórios de dióxido de carbono e água. Os dados oferecem um cenário detalhado sobre a atmosfera de Marte além de pistas sobre como o ar no planeta vermelho mudou ao longo do tempo.

“É animador, pois pela primeira vez os isótopos da atmosfera foram medidos com precisão alta o suficiente para podermos comparar com resultados obtidos a partir de estudos baseados em meteoritos vindos de Marte. Porém, temos o diferencial de que com o Curiosity não é preciso se preocupar com possíveis contaminações", disse Chris Webster, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa e autor de um dos dois estudos publicados nesta quinta-feira (18) no periódico científico Science .

Os dois estudos analisaram não só de seus gases a atmosfera de Marte, mas também detalharam a composição isotópica de seus elementos químicos, como oxigênio, hidrogênio, carbono. Isótopos são versões pesadas e leves de átomos em moléculas como o dióxido de carbono e água e em átomos de argônio que servem como marcadores da temperatura e do tempo de eventos que passaram há bilhões de anos. "Na Terra, o estudos de isótopos nos falam sobre biologia, geologia, processos físicos, geológicos, condições médicas e mudanças climáticas”, disse Webster.

Veja fotos feitas pelo Curiosity em Marte:


Em Marte o estudo tem como finalidade traçar como a atmosfera mudou ao longo do tempo e em que período a água líquida sob forma de lagos, ou mesmo oceanos, pode ter persistido na superfície do planeta como forma de suporte para a vida microbiana. “Os isótopos são muito importantes por nos contar sobre a evolução de Marte em bilhões de anos. Podemos contextualizar alterações na atmosfera com análises que estão sendo feitas no solo, pois ambas falam de mudanças nos solos provocadas por vulcões”, disse Webster.

Mudança impactante
Os estudos mostraram que uma grande alteração ocorreu repentinamente na atmosfera de Marte há 4 bilhões de anos. Como Marte é um planeta menor que a Terra, os cientistas acreditam que eventos como grandes impactos que formaram as crateras existentes hoje na superfície do planeta podem ter ajudado a alterar a atmosfera.

“Vimos também que no início da história de Marte, o campo magnético permanente foi perdido porque o planeta esfriou mais rápido que a Terra. Isto permitiu que partículas do Sol corroessem também a atmosfera ao longo do tempo”, disse ao iG Paul Mahaffy, cientista chefe do, Planetary Environments Laboratory da Nasa e autor do segundo estudo sobre a atmosfera de Marte. “Tudo isto tem sugerido para alguns de nós que Marte pode ter sido um ambiente mais amigável para a vida microbiana no início de sua história”, conclui Mahaffy.

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