Sequenciado genoma de cavalo de 700 mil anos

Por iG São Paulo |

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Nova técnica pode permitir mapear o código genético de fósseis de até um milhão de anos de idade

Divulgação/Nature
Genoma de fóssil comprovou que cavalo de Przewalski é a última espécie de equino selvagem

A partir de um pequeno pedaço de fóssil encontrado no gelado território canadense de Yukon, cientistas decifraram o código genético de um cavalo de cerca de 700.000 anos - quase 10 vezes mais antigo do que qualquer outro animal que já teve seu genoma mapeado.

Os pesquisadores usaram novas técnicas para retirar o DNA de um fragmento de 13 centímetros de um fóssil de osso - a maior parte do qual foi contaminada com bactérias modernas - e obter um bom retrato genético de um cavalo ancestral. O trabalho foi publicado na edição desta semana do periódico Nature e discutidos em uma conferência de ciência em Helsinki, na Finlândia.

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A pesquisa dá uma melhor visão sobre a evolução de um dos mamíferos mais estudados pela ciência e abre novas possibilidades para o sequenciamento dos genomas de todo tipo de animais antigos desde os primeiros ancestrais humanos, até mastodontes, mamutes e bisões, disse o estudo principal autores Ludovic Orlando e Eske Willerslev, da Universidade de Copenhagen.

Isto "é quebrar a barreira do tempo", disse Willerslev.

O mais antigo genoma já sequenciado anteriormente tinha sido o osso de um antigo parente dos Neandertais chamado Denisova, de cerca de 75.000 anos atrás, encontrado em uma caverna siberiana.

Divulgação/Nature
Fóssil de osso de cavalo 700 mil anos: novas técnica permitirá sequenciamento de fósseis antigos

O cavalo antigo provavelmente era do tamanho dos cavalos árabes atuais, disseram os pesquisadores. Não tinha os mesmos genes para grandes músculos que fazem das raças de hoje boas para a corrida, mas foi maior do que os pesquisadores imaginavam, disseram Orlando e Willerslev.

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As novas técnicas de mapeamento podem ser usadas não apenas com fósseis de áreas geladas como Canadá e Sibéria, mas também de climas mais temperados, e pode eventualmente permitir aos pesquisadores mapear genomas de animais de um milhão de anos de idade, afirma Orlando.

"Foi uma ótima iniciativa", disse Edward Rubin, diretor do Joint Genome Institute do Departamento de Energia dos EUA e que decifrou o DNA do Neandertal e do urso de caverna.

"Nós podemos sempre manter nossos dedos cruzados para que o DNA de um antigo hominídeo seja encontrado em um desses ambientes frios", disse. Um deles pode ser até  último ancestral comum dos neandertais e os humanos modernos, segundo ele.

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Para Orlando e Willerslev, o clima não tem que ser tão frio como Canadá e Sibéria, mas a maior parte da evolução humana aconteceu na África, onde o clima mais quente faz com que o DNA se desintegre mais rapidamente. Ainda assim, havia uma quantidade suficente de hominídeos em climas temperados para dar esperança que um dia seja possível sequenciar o genoma de alguns de nossos antepassados, disseram.

Boa parte do DNA do fóssil de Yukon tinha origem bacteriana, contou Orlando; para cada 200 moléculas de DNA seqüenciadas, apenas um era do cavalo.

A pesquisa estimou que a divisão evolutiva que separou cavalos de burros aconteceu há cerca de quatro milhões de anos.

A análise também encontrou novas provas que uma espécie de equino em extinção, o cavalo de Przewalski, é o último cavalo selvagem que sobrevive na natureza. Encontrado na Mongólia e na China, ele é geneticamente distinto de cavalos domésticos.

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