Estudo diz que seres humanos aprenderam a arremessar há dois milhões de anos

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Pesquisa publicada nesta quarta-feira diz que capacidade de arremesso surgiu com o Homo erectus

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Lançador do time Red Sox de Boston, em 2012: estudo analisou movimentos do esporte para estudar origens do arremesso

Cientistas dizem ter descoberto quando nossos ancestrais começou aatirar com precisão, como só os seres humanos conseguem: há quase dois milhões de anos.

Isso é o que pesquisadores concluíram em um estudo divulgado quarta-feira (26) pelo periódico Nature. Apesar de haver ceticismo sobre essa conclusão, o novo estudo afirma que essa habilidade jogando provavelmente ajudou o Homo erectus na caça, permitindo-lhe lançar armas como pedras e lanças de madeira afiadas.

A capacidade de arremessar do ser humano é única. Nem mesmo o chimpanzé, nosso parente vivo mais próximo e uma criatura conhecida pela força, pode lançar quase tão rápido quanto um menino de 12 anos, diz o principal autor do estudo, Neil Roach, da Universidade George Washington.

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Para saber como os seres humanos desenvolveram essa capacidade,Roach e os co-autores analisaram os movimentos de 20 jogadores de beisebol universitário durante um jogo. Às vezes, os jogadores usavam braçadeiras para imitar a anatomia de outras espécies de hominídeos, para ver como mudanças anatômicas afetaram a capacidade de arremesso.

O segredo, propõem os pesquisadores, é que, quando o braço está levantado, ele armazena energia pelo alongamento dos tendões, ligamentos e músculos que atravessam o ombro. É como puxar para trás em um estilingue. Liberar essa "energia elástica" faz com que o braço dê uma arrancada para a frente para fazer o arremesso.

Esse truque, por sua vez, foi possível graças a três alterações anatômicas na evolução humana que afetaram a cintura, ombros e braços, concluíram os pesquisadores. E o Homo erectus, que surgiu cerca de dois milhões de anos atrás, é o primeiro parente do homem combinar essas três mudanças, disseram.

Mas outros acham que a capacidade de projeção deve ter aparecido mais tarde na evolução humana.

Susan Larson, anatomista da Universidade Stony Brook, em Nova York, que não participou do estudo, disse que o trabalho é o primeiro a afirmar que o armazenamento de energia elástica ocorre nos braços, e não apenas nas pernas. A marcha saltitante dos cangurus é devido a esse fenômeno, ela disse, e o tendão de Aquiles humano armazena energia para ajudar as pessoas a andar.

A nova análise oferece uma boa evidência de que o ombro está armazenando energia elástica, embora o ombro não tenha os tendões longos que fazem esse trabalho nas pernas, disse ela. Então talvez outros tecidos podem fazê-lo também, disse ela.

Mas Susan, que é especialista em evolução do ombro humano, disse não acreditar que o Homo erectus poderia arremessar como um ser humano moderno. Ela acredita que os ombros da espécie eram muito mais estreitos e que a orientação das articulações das omoplatas no seu corpo impossibilitaria arremessos altos.

Rick Potts, diretor do programa de origem humana na Instituto Smithsonian, disse que não está "nem um pouco convencido" pelo argumento do artigo.

Os autores não apresentaram dados para contrapor um trabalho anterior publicado por Susan que indica o ombro do H. erectus era pouco adequado para arremessos, disse.

E é "um exagero" dizer que o arremesso daria ao H. erectus uma vantagem na caça, disse Potts. Animais de grande porte têm que ter seu corpo perfurado em pontos específicos para morrerem, o que parece exigir mais precisão do que se poderia esperar do Homo erectus para alcançar à distância, disse ele.

Potts também observou que as primeiras lanças conhecidas, que datam de cerca de 400.000 anos atrás, foram usadas ​​para empurrar ao invés de serem lançadas.

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