Estudo descobre por que mulheres se lembram melhor do rosto das pessoas

Por BBC |

compartilhe

Tamanho do texto

Pesquisa mostrou que mulheres têm memória superior aos homens, pois prestam mais atenção nos traços faciais

BBC

Getty Images
Estudo canadense aponta diferenças entre os mecanismos de memória de homens e mulheres

Um estudo de um grupo de cientistas baseados no Canadá apontou que as mulheres podem ter memória superior aos homens quando se trata de reconhecer rostos e ligar fisionomias às pessoas certas.

O motivo, segundo os pesquisadores, é que a mulheres prestam mais atenção às feições das pessoas com quem estão falando.

"A maneira com que dirigimos nosso olhar a um rosto novo afeta nossa capacidade de reconhecer este indivíduo depois", diz a cientista Jennifer Heisz, da Universidade de McMaster, coautora do estudo, ao lado dos psicólogos David Shore e Molly Pottruff.

"Tanto os homens como as mulheres se fixam nos olhos, no nariz e na boca", afirmou Heisz à BBC Mundo. "A diferença está no número de vezes que nos fixamos em cada um destes traços: dentro de um limite de tempo concreto, de cinco segundos, as mulheres fazem mais movimentos com os olhos examinando um novo rosto do que os homens."

Leia mais:
Cerrar o punho pode ajudar memória, diz pesquisa
Cientistas decifram mecanismos da falta de memória
Estudo identifica moléculas que formam memória de longo prazo

Esta diferença quanto ao tipo de olhar gera depois uma "memória superior" entre as mulheres, que, de acordo com os cientistas, se tornou evidente quando os participantes de um experimento voltaram a se encontrar com as mesmas pessoas que tinham conhecido anteriormente.

"Nossos resultados apontam novos conhecimentos sobre os potenciais mecanismos da memória episódica e sobre as diferenças entre os sexos", acrescenta Heisz.

A memória episódica se relaciona a eventos autobiográficos, que podem ser acionados, e é diferente de outros tipos de memória, como a semântica ou empírica.

Padrões do inconsciente
Os cientistas analisaram o padrão de visão e reconhecimento facial de 40 homens e 40 mulheres, utilizando uma tecnologia que rastreia o movimento dos olhos. Assim, foi possível registrar para onde os participantes estavam olhando enquanto eram confrontados com os rostos de pessoas selecionadas de forma aleatória em uma tela de computador.

Eles tinham que lembrar do nome associado a cada rosto.

Leia também:
Estudo diz que homens são melhores que as mulheres em termos de multitarefas
Mulheres conseguem saber se homem trai só de olhar, diz estudo
Homens sobrevivem mais a naufrágios do que mulheres e crianças
Estudo afirma que homens se sentem atraídos por mulheres parecidas com eles
Homens e mulheres enxergam de maneiras diferentes, diz estudo
Para Stephen Hawking, mulheres são maior mistério do universo

"Descobrimos que as mulheres se fixam nos traços faciais muito mais do que os homens, porém, esta estratégia funciona completamente à margem da nossa consciência", afirma Heisz. "Os indivíduos normalmente não sabem em que fixam seus olhos, de forma que tudo é inconsciente."

A equipe, no entanto, não sabe ainda a que se devem estas diferenças de mecanismos entre os dois sexos. "Poderia ser porque as mulheres estão mais interessadas na interação social, mas isso é pura especulação, há se que investigar mais", diz a cientista.

Diferenças
Outro estudo recente sobre o tema, realizado no Brooklyn College e publicado em setembro de 2012, concluiu que os olhos dos homens são mais sensíveis aos pequenos detalhes e aos objetos que se movem em alta velocidade, enquanto os das mulheres são melhores para distinguir cores.

Heisz diz que aí pode estar uma "conexão interessante". "Os resultados atuais mostram que os homens perdem mais tempo em um ponto, ao invés de fazer um rastreamento de todo o rosto", afirma.

"Isso poderia significar que estão se concentrando em alguns detalhes, mas esta maneira de olhar não leva a uma boa representação mental do rosto para a memória."

Uma das principais inferências deste estudo, diz a cientista, é que todos nós podemos aprender a rastrear melhor as feições e potencialmente desenvolver uma memória melhor, algo que pode ser especialmente útil "para os indivíduos com deficiências de memória, como os idosos", conclui Heisz.

Leia tudo sobre: memóriacérebro

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas