Pesquisadores descobrem duas novas espécies de aracnídeos no Nordeste

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Descoberta feita na Caatinga e na Mata Atlântica amplia abrangência de grupo de aracnídeos, que antes se acreditava habitarem apenas florestas úmidas

Divulgação
A imagem mostra uma fêmea da espécie Rowlandius ubajara descoberta no Ceará

Duas novas espécies de aracnídeos escavadores foram descobertas no Nordeste brasileiro. As espécies medem menos de quatro milímetros de comprimento e foram encontradas em regiões de cavernas no Ceará e no Rio Grande do Norte. Os animais pertencem ao grupo chamado de Schivomida, parentes dos escorpiões, aranhas e carrapatos, e ainda pouco conhecido da Ciência. Os pesquisadores supõem que eles se alimentas de insetos que vivem nas cavernas e comem fezes de morcegos.

A descoberta destas duas novas espécies reforça a ideia de que este grupo de aracnídeos não habita só regiões de florestas úmidas. “Várias espécies deste grupo foram encontradas no Caribe e em países amazônicos, mas agora vimos que elas também habitam ecossistemas diferentes como a Mata Atlântica e a Caatinga”, disse ao iG Adalberto dos Santos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e autor do estudo publicado esta semana no periódico científico PLOS ONE.

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A espécie encontrada no Parque Nacional Ubajara, no Ceará, recebeu o nome de Rowlandius ubajara. Os animais foram encontrados em regiões de cavernas em uma área remanescente de Mata atlântica entre a Caatinga. A outra espécie, descoberta em uma região da Caatinga no Rio Grande do Norte recebeu o nome de Rowlandius potiguar.

As duas novas espécies de aracnídeos têm o que os pesquisadores chamam de falso olho, também comum em outros animais do grupo Schivomida. Eles possuem uma membrana no lugar dos olhos e acredita-se que os animais se orientem, não pela visão, que provavelmente é ruim, mas por outros sensores. "Vimos, inclusive, algumas espécimes fora da caverna, o que nos leva a crer que como não enxergam, para eles tanto faz estar dentro ou fora da caverna", disse Santos.

Dois tipos de macho
Os pesquisadores notam que entre os indivíduos da espécie encontrada no Rio Grande do Norte havia dois tipos de machos, um com as segundas patas compridas e outros com patas mais curtas. A segunda pata, que recebe o nome de pedipaldo, tem função sensorial e para captura de presas. “A variação é impressionante. Alguns machos têm o comprimento do pedipalpo igual a metade do comprimento do corpo, que é de pouco menos de 3 milímetros, enquanto que outros chegam a ter 4 milímetros de comprimento de pedipalpo, maior que o próprio corpo”, disse Santos.

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O pesquisador afirma que fenômenos como este já foram observados em outras espécies de aracnídeos, como os besouros rola-bosta, por exemplo. “Nestes casos, os machos apresentam estratégias diferentes de atrair as fêmeas”, disse. Enquanto os grandes conseguem defender territórios e brigar pelas fêmeas, os pequenos têm que usar estratégias furtivas para acasalar, como se aproximar das fêmeas enquanto os machos grandes estão distraídos.

“Porém, não temos ideia de como isto acontece nos Schivomida, porque não há estudos sobre o comportamento destes bichos, mas a variação morfológica dos machos nos sugere que o acasalamento deles deve ser muito interessante”, disse.

Encontrar animais tão pequenos - a fêmea mede quase 4 milímetros e os machos, 3 - não é uma tarefa muito fácil. "Certamente a gente conhece a minoria das espécies", disse Santos. Além do tamanho diminutos, os animais são escavadores vivem em ambientes escuros de cavernas. "Sabemos mais ou menos em que ambientes podemos encontrar novas espécies, mas é o que eu digo, para encontrá-los é preciso sujar as mãos e procurar", disse. 

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