Cientistas usam clonagem para produzir células-tronco embrionárias

Por The New York Times | - Atualizada às

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Técnica, a mesma que criou a ovelha Dolly, causa receio na comunidade científica, porque pode ser usada para clonar seres humanos

Divulgação
Colônia de células-tronco embrionárias criada pelos cientistas de Oregon

Cientistas anunciaram hoje nos Estados Unidos uma nova técnica de clonagem que conseguiu reprogramar células da pele humana em células-tronco embrionárias, que têm a capacidade de se tornar em qualquer célula do corpo.

O anúncio não é só um avanço na tecnologia de células-tronco, que tem o potencial de curar um grande número de doenças, mas também causou apreensão de que ele pode significar um passo no caminho da clonagem de seres humanos.

A pesquisa foi publicada nesta quarta-feira (15) pelo periódico científico Cell, e foi liderada por Shoukrat Mitalipov, cientista sênior do Centro Nacional de Pesquisas em Primatas de Oregon, em
parceria com pesquisadores da Oregon Health & Science University (OHSU).

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Os pesquisadores pegaram células da pele de uma criança com uma doença genética e as fundiu com óvulos doados, para criar embriões que eram geneticamente idênticos à criança. Em seguida, extraíram células-tronco destes embriões.

A técnica usada é essencialmente a mesma que criou a ovelha Dolly e muitos outros animais clonados em anos seguintes. Nestes casos, os embriões foram implantados no útero de fêmeas adultas da mesma espécie.

Os cientistas de Oregon não implantaram seus embriões em barrigas de aluguel e declararam não ter nenhuma intenção de fazê-lo, já que a técnica, de qualquer maneira, não geraria um bebê saudável. O mesmo procedimento foi tentado anos a fio em macacos, e nunca resultou no nascimento de um macaco clonado.

Ainda assim, o fato dos cientistas terem conseguido que embriões humanos clonados sobrevivessem tempo suficiente para a extração de células-tronco foi vista como um avanço na área de clonagem reprodutiva humana.

O grupo de Mitalipov, no entanto, deixou claro que seu objetivo era a clonagem terapêutica: criar células-tronco embrionárias geneticamente idênticas a um paciente, que possam se converter em
qualquer célula do seu corpo e tratar doenças atualmente sem cura.

Atualmente, células-tronco embrionárias usadas em pesquisas vêm de embriões descartados por clínicas de fertilidade. Mas os tecidos criados a partir destes embriões podem não ser geneticamente compatíveis com qualquer paciente, o que poderia causar rejeição.

Há mais de uma década que a comunidade científica tenta criar células-tronco embrionárias a partir de clonagem. Um cientista da Coreia do Sul anunciou o feito em 2005, mas posteriormente foi denunciado como fraude.

Ainda assim, a demanda por clonagem terapêutica pode ser menor agora do que há dez anos, porque cientistas atualmente conseguem usar células adultas de pele para criar células-tronco bastante similar às embrionárias, mas sem usar embriões. São as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas.

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