Fóssil descoberto na década de 1950 muda conhecimento sobre ictiossauros

Por iG São Paulo |

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Nova espécie de ictiossauro, réptil marinho já extinto que se parecia com um golfinho, aponta que grupo não desapareceu com a extinção no Jurássico

Divulgação
Ilustração mostra como era ictiossauro que viveu no Iraque no Cetáceo

A análise de um fóssil de uma espécie desconhecida de ictiossauros, descoberto no Iraque, revolucionou a compreensão sobre a evolução e extinção deste réptil marinho. De acordo com a equipe internacional de pesquisadores, o fóssil contradiz a antiga teoria que sugeria que os ictiossauros do período Cretáceo - entre 145 milhões e 66 milhões de anos atrás - foram os últimos sobreviventes antes do declínio total do grupo.

Até agora acreditava-se que os ictiossauros, répteis que lembravam golfinhos, haviam declinado gradualmente a partir de múltiplas extinções ao longo do período Jurássico. Por causa disso, presumia-se que todos os ictiossauros haviam sido extintos, exceto o mais adaptados ao nado e a vida no mar aberto. De acordo com esta teoria, acreditava-se que os ictiossauros evoluíram para se tornarem cada vez mais nadadores de mar aberto, até serem extintos de vez.

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No entanto o novo fóssil de ictiossauro altera consideravelmente a visão que os pesquisadores tinham deste grupo de animais. A espécie estudada foi descoberta na década de 1950 por geólogos da companhia British Petroleum. “O fóssil, parte de um esqueleto bem preservado, não foi tratado como deveria. Preservado dentro de uma laje plana estava sendo usado como pedra de apoio em uma trilha”, disse o coautor do estudo publicado no periódico científico Biology Letters, Darren Naish, da Universidade de Southampton. “Felizmente, os geólogos perceberam a importância e levaram para o Reino Unido”, disse Naish.

Ictiossauros são répteis marinhos conhecidos pelos cientistas por centenas de fósseis de diferentes espécies que habitaram a Terra na época dos dinossauros. "Eles variaram entre menos de um metro a mais de 20 metros de comprimento, tinham seus filhotes no mar, e algumas espécies eram ótimas nadadoras", disse Valentin Fischer da Universidade de Liège, na Bélgica e autor do estudo.

Estudo feito em várias etapas
O estudo do fóssil começou nos anos 1970 com o especialista Robert Appleby, na época da Universidade de Cardiff, no País de Gales. “Ele reconheceu que o espécime era importante, mas infelizmente morreu antes de antes de determinar a idade do fóssil”, disse Jeff Liston, do Museu Nacional da Escócia e pesquisador do projeto. “Portanto a continuação do estudo precisou de uma nova geração de pesquisadores”;

No estudo, pesquisadores nomearam a espécie como Malawania anachronus, que significa “nadador fora do tempo”. Apesar de ser do Cretáceo, Malawania foi o último membro conhecido de um tipo de ictiossauro que se acreditava tivesse sido extinto no Jurássico Inferior, mais de 66 milhões de anos antes.

“A descoberta do Malawania é parecida com o que aconteceu a respeito do celacanto, um animal que é considerado um representante de uma era geológica diferente. O Malawania nos mostrou que existia uma linhagem da qual nunca havíamos imaginado. Talvez a existência de um ictiossauro num estilo tão jurássico foi perdida, pois eles sempre viveram no Oriente Médio, região onde foi descoberto apenas um único fóssil de ictiossauro”, disse Fischer.

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