Cientistas conseguem prever quando uma música nova agrada ao ouvinte

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo |

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Experimento descobriu parte do cérebro que se ativa ao ouvir canções desconhecidas, e tamanho da atividade estava relacionado com vontade de pagar pela música

Getty Images
Atividade cerebral dá a pista se ouvinte vai gostar ou não da música

Já é possível prever qual será a música hit do momento. Uma equipe de pesquisadores descobriu que a atividade neural em regiões do cérebro pode ajudar a prever quanto as pessoas gastariam de dinheiro para comprar uma nova música em uma plataforma digital com o iTunes.

No experimento conduzido na Universidade McGill de Montréal, no Canadá, 19 voluntários tiveram as atividades cerebrais monitoradas por ressonância magnética enquanto ouviam 60 partes de músicas que desconheciam. Durante a audição, eles relatavam, como se estivessem em um leilão, quanto estavam dispostos a pagar por cada música. Os pesquisadores observaram que era possível relacionar o aumento da atividade de regiões específicas do cérebro com o valor que os voluntários desembolsavam pela música. A área que foi ativada é o núcleo accumbens, que comanda as emoções e as motivações.

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Como o cérebro prefere ouvir o som

“Basicamente, quanto mais atividade era vista nesta área cerebral na primeira vez que eles ouviam a música, mais dinheiro eles pagavam pela música”, disse, em um comunicado, a neurocientista Valorie Salimpoor, da Universidade McGill. Valorie, que liderou o estudo publicado nesta quinta-feira (11) no periódico científico Science, afirma que o estudo dá provas “neurobiológicas de que quando estamos ouvindo música, mesmo que seja inédita, estamos formando constantemente previsões”.

Com o estudo também foi possível descobrir que o núcleo accumbens não trabalha sozinho. Ele interage fortemente com o córtex cerebral relacionado com a audição e também com partes mais complexas e desenvolvidas do cérebro – relacionados com o reconhecimento de emoção e estímulos abstratos.

“A experiência prazerosa de ouvir música não tem nenhum valor óbvio de recompensa e não é tangível, como chocolate ou dinheiro. É algo que fica apenas nas nossas mentes. Quando a música termina ela fica apenas guardada na memória, então a música é realmente uma recompensa cognitiva”, disse.

Cada um no seu quadrado
Embora o estudo tenha mostrado que é possível prever a partir da análise cerebral quanto a música agradou. Valorie afirma que é preciso levar em conta que cada pessoa tem seu próprio gosto musical que é modelado de acordo com as experiências musicais ouvidas ao longo da vida.

Valorie explica que a parte do cérebro chamada córtex superior temporal é responsável pelo armazenamento de padrões de informação musical, em outras palavras, é responsável por como os sons são organizados no cérebro e classificados entre bons e ruins.

“Dependendo de quais estilos de música estamos acostumados a ouvir, que gênero musical somos expostos, que geração pertencemos temos nosso córtex personalizado. Outro fator importante, é que ele aparenta fazer associações emocionais prévias com alguns padrões musicais” , disse.

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