Cientistas japoneses criam máquina que 'lê' sonhos

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo |

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Decodificador reconhece imagens do sonho de voluntários ao interpretar atividade cerebral de cada indivíduo

Getty Images
No estudo, voluntários foram acordados para relatar seus sonhos

Pesquisadores japoneses conseguiram desenvolver uma máquina que decodifica sonhos. No experimento, foi possível predizer quais imagens eram sonhadas tendo como base apenas informações da tomografia computadorizada sobre a atividade cerebral.

O procedimento para ler os sonhos envolveu várias etapas. Na primeira delas, cada voluntário monitorado por tomografia cerebral era acordado a cada vez que sonhava. Isto porque quando era detectado, pela atividade cerebral, que os indivíduos estavam sonhando, eles eram despertados e orientados a relatar verbalmente os sonhos. Este procedimento foi repetido cerca de 200 vezes com cada um dos três voluntário durante um período de 11 dias.

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“Está vindo do céu! Eu vi algo como uma estátua de bronze, uma grande estátua de bronze”, relatou um dos voluntários ainda sonolento. “A estátua de bronze estava em um pequeno morro. No pé do morro havia casas, ruas e árvores em perfeito estado”.

Acorda e fala antes de esquecer
Após relatos como este, um psicólogo entrava em ação e analisava a informação textual. Ele também criou 20 categorias visuais baseadas em semelhanças semânticas, criando um mapa com vetores que mostravam a presença ou ausência de cada categoria.

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Com as categorias estabelecidas, os pesquisadores selecionaram imagens na internet destas mesmas categorias. Numa segunda etapa do experimento, os pesquisadores mostraram as imagens para os voluntários enquanto eles tinham a atividade cerebral monitorada por tomografia.

Os voluntários apresentavam a atividade cerebral parecida quando viam fotos semelhantes as imagens sonhadas. “O sonho é uma experiência visual e os padrões da atividade cerebral são muito parecidos quando processamos algo que vimos ou que sonhamos”, explica Yuki Kamitani do Laboratório de Neurociência Computacional ATR em Kyoto, no Japão e um dos autores do estudo publicado no periódico científico Science.

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Na terceira etapa do experimento, os pesquisadores criaram uma máquina, chamada de decodificador, que foi traduzia as atividades cerebrais durante o sonho em imagens. ”A máquina indicava pixel por pixel as informações relevantes dos sonhos”, disse Yuki. O pesquisador afirma, porém que ainda é muito difícil identificar os padrões diretamente do decodificador e também é muito difícil interpretar cada padrão.

Modelo único de cérebro
Yuki afirma que que cada pessoa tem um padrão cerebral diferente para processar as informações visuais. “A estrutura cerebral é diferente de pessoa para pessoa, mas quando examinamos áreas individuais no contexto visual percebemos que cada área era boa em decodificar conteúdos específicos caracterizados por similaridades semânticas. Parece haver a uma fronteira de especialização semântica em cada área”, disse.

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