Análise do hálito pode se tornar ferramenta no diagnóstico de doenças

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo |

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Estudo mostrou que hálito além de conter marcas únicas de cada pessoa, também carrega informações importantes sobre o metabolismo

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Pesquisadores comprovaram que o ar exalado pode servir como forma de identificar as pessoas

Pesquisadores suíços descobriram que o ar exalado pelos pulmões pode ser uma espécie de nova impressão digital, com marcas únicas em cada pessoa. O estudo da equipe do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça também afirma que além destas marcas que permitem a identificação das pessoas, há ainda uma variação de substâncias no hálito ao longo do dia que pode servir como uma ferramenta para o diagnóstico de doenças.

O químico Renato Zenobi, um dos autores do estudo publicado no periódico científico PLoS ONE explica que a análise dos componentes do hálito pode conter informações sobre a saúde do paciente. “O ar expirado, além dos compostos N2, O2, CO2, H2O, possui pequenas moléculas semivoláteis chamadas de metabólitos, que são produto do metabolismo”, disse ao iG. Vale ressaltar que nenhum dos voluntários era fumante e todos seguiram uma dieta normal durante o período que as amostras foram coletadas.

Estudos anteriores feitos com cães mostraram que os animais conseguem identificar pacientes com câncer de pulmão e também a ocorrência de câncer de intestino a partir do olfato apurado. “Cães sabem muito bem como fazer isso, mas como eles nunca vão nos contar quais compostos eles cheiram, é melhor estudarmos por nós mesmo”, disse Zenobi.

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O estudo da equipe suíça mostrou que os metabólitos contidos no hálito podem ser usados como objeto de análise para diagnóstico. Isto porque os metabólitos estão relacionados com o metabolismo e todo o processo bioquímico do corpo. “Se uma doença interfere neste processo, o padrão de metabólitos muda também”, disse;

No estudo, 11 voluntários deram quatro baforadas diárias em um tubo quente de Teflon ao longo do dia por um período de 11 dias. Os pesquisadores encontraram diferenças significativas nos químicos presentes nas diversas amostras de cada pessoa. “Mesmo com esta variação, foi possível identificar a essência desta ‘impressão do hálito’ única para cada indivíduo que é extremamente específica e que pode ser ligada ao dono. Porém o que faz o hálito ser único ainda é desconhecido”, disse Zenobi.

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