Pesquisadores desenvolvem geração de robôs off-road

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Inspirados em lagartos e insetos, cientistas pretendem criar protótipos com patas que não atolem em terrenos arenosos e que tenham a mesma eficiência do movimento dos animais

Divulgação
Os cientistas Daniel Goldman e Chen Li observam a movimentação do robô de seis patas em terreno arenoso

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia  de Georgia, nos Estados Unidos, afirmam que robôs que se locomovem com rodinhas, como por exemplo, o jipe-robô Curiosity, serão coisa do passado. Eles estão desenvolvendo robôs com pernas inspiradas em lagartos, baratas e outros animais que não atolam em terrenos difíceis como os cobertos por terra, lama, areia e grama.

Combinando experimentação e teoria os pesquisadores acabaram de projetar um robô de seis patas que se move de forma eficiente em um terreno com areia e grãos. A equipe descobriu que patas no formato da letra C são as mais indicadas para este tipo de terreno. “Nós construímos patas de diferentes formatos para testar a robustez do modelo e prever a velocidade das diferentes patas do robô”, disse ao iG Chen Li, do laboratório de Biomecânica da Georgia Tech e um dos autores do estudo publicado esta semana no periódico científico Science.

O estudo sobre movimentação em terrenos arenosos é similar a estudos anteriores sobre movimentação na água e que resultaram na melhora de robôs aquáticos. Porém, de acordo com os pesquisadores, a interação com solos formados por areia, terra, lama e grama é ainda mais complexa que a interação com água.

Veja o vídeo: 

Próxima parada: Marte
Um uso importante dos robôs com patas seria na prospecção de terrenos arenosos como o solo de Marte, para onde foi mandado no ano passado, o jipe-robô Curiosity. O jipe-robô Spirit, que chegou ao planeta vermelho em 2004 atolou em 2010 em um poço arenoso, não podendo mais continuar a missão como previsto pela Nasa.

Veja as últimas notícias sobre o Curiosity

Os pesquisadores esperam que a criação de robôs com patas usados em terrenos arenosos, que ainda é um trabalho pioneiro, evolua a ponto de os protótipos conquistem desempenho semelhante ao da locomoção dos animais. “Esperamos que um dia um robô com pernas seja enviado à Marte e outros planetas”, disse Chen.

Embora tenham avançado muito na tecnologia e já tenham ferramentas para projetar e simular robôs com patas, os pesquisadores afirma que os robôs ainda não são tão eficientes como os animais. “Isto acontece por razões como o fato de robôs não terem cérebros, sensores, músculos e fonte de alimentação tão bons quanto o destes animais”, disse.

Outra dificuldade é a variedade de terrenos que precisam ser testados. Os pesquisadores contam que esta classe de robôs, chamada de RHex, foi testada em areia, cascalho, terra, lama, entulho, pedra, grama e até mesmo água. Porém os pesquisadores perceberam que quando o substrato começava a escoar sobre a perna do robô, ele perdia velocidade ou em alguns casos ficava preso.

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“Em contrapartida, muitos animais encontram estes substratos, numa base diária e mover-se bem sobre eles. Ainda nos falta um entendimento mais avançado sobre a interação entre a pata de animais ou robôs e terrenos mais complexos”, diz Chen. Mas o desafio, explica, é uma das principais motivações do grupo de pesquisadores.

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