'Brokeback Pinguins' ou o caso dos pinguins gays de Toronto

Por iG São Paulo |

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Contra a expectativa geral de que se dessem com fêmeas e colaborassem com a manutenção da espécie no zoo da cidade, os machos Buddy e Pedro formavam um casal

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Exemplares de espécie ameaçada de extinção, Buddy e Pedro foram separados para que pudessem procriar

O encontro era improvável. Buddy era um viúvo com filhos, Pedro era mais novo e inexperiente. Mesmo assim, desafiando as convenções, eles pareciam apaixonados. Moravam juntos – dividiam o mesmo ninho - e eram inseparáveis.

Até o fim de 2011, Buddy e Pedro, dois pinguins africanos machos do Zoológico de Toronto, no Canadá, se comportavam como um casal. Já chegaram “casados” de um zoológico americano e ficaram muito populares na Internet, ganhando o apelido de “Brokeback Iceberg” (em alusão ao filme “O Segredo de Brokeback Mountain”, filme do diretor Ang Lee que mostrava o romance proibido entre dois caubóis).

Assim como no filme, a relação dos chamados “pinguins gays de Toronto” também teve um fim triste. Eles são de uma espécie ameaçada e era necessário que procriassem para afastar o risco de extinção. Então eles foram separados.

Três dias após a separação, Buddy já tinha se conformado com a situação e formado um novo casal com a fêmea Farai. Pedro não foi tão rápido. Foram necessárias várias tentativas com outras fêmeas até ele fixar par com Thandiwe.

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Buddy (E) e Pedro (D) estão bem, informa o zoo, com suas novas companheiras

Apesar dos namoros promissores, Buddy e Pedro ainda não colaboraram com o aumento de exemplares confinados de sua espécie. A primeira tentativa de acasalamento de Buddy e Farai, no início de 2012, gerou dois filhotes, que não sobreviveram. Pedro e Thandiwe também seguem juntos, mas ainda sem rebentos. A reportagem do iG entrou em contato com o zoológico de Toronto, que informou, sem dar muitos detalhes, que ambos os pinguins continuam bem, em sua segunda temporada de acasalamento com suas respectivas parceiras.

NA ALEMANHA, Z E VIELPUNKT CRIARAM UM FILHOTE JUNTOS

Os “pinguins Brokeback” estão longe de ser o único caso de relacionamento homossexual em cativeiro. Em 2009, o zoológico de Bremerhaven, na Alemanha, descobriu que Z e Vielpunkt, dois pinguins de Humboldt machos, adotaram um ovo abandonado, o chocaram e estavam criando o filhote juntos. O zoo doou o ovo, rejeitado por seus pais biológicos, aos dois pinguins após vê-los tentando chocar uma pedra. Outros casos parecidos aconteceram nos zoológicos de Nova York e de San Francisco, nos Estados Unidos, mas, em ambos os casos, um dos machos acabou mais tarde formando casal com uma fêmea.

Um estudo de 2010 mostrou que em uma colônia de pinguins-reis na Antártida, um quarto da população (75 casais) formava temporariamente pares do mesmo sexo, mas apenas em dois casos o comportamento tinha sinais sexuais claros e não apenas sociais, o que leva os cientistas a acreditar que as aves “flertam” com a homossexualidade, especialmente quando a proporção de fêmeas é pequena dentro do grupo.

Já o zoológico de Bremerhaven tem outra explicação: "A homossexualidade não é incomum entre os animais", declarou em comunicado à BBC em 2009. "Sexo e acasalamento no nosso mundo não necessariamente têm algo a ver com reprodução."

A homossexualidade não é incomum entre os animais. Sexo e acasalamento no nosso mundo não necessariamente têm algo a ver com reprodução.

Os cientistas já observaram em várias ocasiões exemplos de comportamento homossexual entre animais, e várias hipóteses já foram imaginadas. Em alguns casos, pode ser um comportamento que traz vantagens dentro do grupo, como a ligação com um membro mais poderoso, em outros a aproximação é provocada por alterações hormonais causadas por agentes externos.

No caso de Buddy e Pedro, o casal teve uma "ligação social", mas não necessariamente sexual, afirmou Tom Mason, responsável por pássaros e invertebrados do zoológico de Toronto, na época da separação dos dois. "Os pinguins são sociais e precisam de companhia. O grupo em que vieram era de machos solitários esperando pela chance de fazer par com fêmeas", afirmou Mason. Antes de conhecer Pedro, Buddy tivera uma parceira fêmea por dez anos, com quem teve crias, e com quem ficou até ela morrer.

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