Museu Nacional apresenta gigante voador pré-histórico do nordeste brasileiro

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Réptil voador tinha 8,5 metros de envergadura vivia há 110 milhões de anos na chapada do Araripe. Exposição no museu vai contar com modelo em tamanho natural do pterossauro

Maurílio Oliveira, Museu Nacional/UFRJ
Ilustração de mostra pterossauro do nordeste brasileiro

Pesquisadores do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, anunciaram, nesta quarta (20), a descoberta do mais importante réptil voador pré-histórico já encontrado no Brasil. O maior fóssil de pterossauro descoberto no Hemisfério Sul media em torno de 8,5 metros de uma ponta à outra da asa. Um modelo em tamanho natural do esqueleto e outro da cabeça do gigante voador, construídos nos laboratórios do museu, poderão ser vistos pelo público a partir de 22 de março.

O pterossauro, da espécie Tropeognathus mesembrinus, da família Anhangueridae, viveu no nordeste brasileiro há 110 milhões de anos. Até agora só se conheciam fósseis de animais que viveram em período entre 72 e 65 milhões de anos. "O gigantismo de pterossauros é bem anterior ao que se supunha", disse o pesquisador Alexander Kellner, integrante da equipe de paleontólogos que pesquisou os fragmentos originais e reconstituiu o pterossauro.

A descoberta é resultado do trabalho de três grupos de pesquisadores de diversas instituições brasileiras, em escavação controlada, na Chapada do Araripe, entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí.

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Enquanto os dinossauros dominavam a terra firme, entre 220 milhões e 65 milhões de anos atrás, a Era Mesozoica, um grupo de vertebrados se lançava ao ar e tornava-se o senhor dos céus do planeta: os pterossauros, ou répteis voadores. Com apenas duas centenas de espécies conhecidas, esses animais conviveram com as aves primitivas, desaparecendo no final do período Cretáceo, juntamente com a maioria dos dinossauros.

Apesar de estudados há mais de 200 anos, ainda existe muita controvérsia relacionada a esses animais. Um dos motivos é o pequeno número de depósitos com fósseis bem preservados do grupo. Um desses depósitos, conhecido como Formação Romualdo, situa-se no Brasil e aflora nas escarpas da Chapada do Araripe, entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí. Nessas rochas, cuja idade é de 110 milhões de anos, os fósseis estão preservados em nódulos calcários com pouca ou nenhuma distorção, o que é raro.

Segundo Kellner, os dois pterossauros maiores encontrados anteriormente, nos Estados Unidos e na China, tiveram suas medidas (com 11 metros e 10 metros de uma ponta à outra da asa, respectivamente) concluídas a partir de partes muito fragmentadas, enquanto no Brasil os fósseis são mais preservados. A reconstituição do pterossauro em exibição no Museu Nacional mostra que o animal tinha uma crista na cabeça que, segundo os pesquisadores, servia para regular a temperatura do corpo, e dentes compridos e finos, que indicam que se alimentava de peixes.

"Este é o exemplar mais completo, porque enquanto os outros dois maiores são baseados apenas em partes do braço, partes da asa e um pequeno fragmento craniano, este você tem a coluna vertebral praticamente completa, braços e pernas", disse Kellner.

O estudo, publicado nos Anais da Academia Brasileira de Ciências, confirma que a Bacia do Araripe reúne alguns dos mais importantes depósitos de fósseis do mundo. O trabalho inclui outros dois animais de grande porte encontrados no mesmo local.

(com informações da Reuters e Agência Estado)

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