Nicolelis diz que acusação é 'leviana e irresponsável'

Por Agência Estado |

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Neurocientista rebate críticas de brasileiros afirmando que pesquisa data de 2006 e diz que há uma campanha para difamá-lo

Agência Estado

Beto Lima
Miguel Nicolelis: polêmica com grupo de neurocientistas brasileiros

O neurocientista Miguel Nicolelis classificou a "insinuação" de que a apresentação do pesquisador Márcio Moraes, da UFMG, no Comitê Gestor do Incemaq possa ter influenciado suas pesquisas como "primária, leviana e irresponsável". "Nada do que o professor Marcio Moraes possa ter dito ou feito teve qualquer influência no nosso trabalho", afirmou Nicolelis, em entrevista por e-mail ao jornal O Estado de S. Paulo.

Entenda o caso: Miguel Nicolelis é criticado por cientistas brasileiros

"Não tenho nenhuma lembrança, dois anos depois, da apresentação do prof. Márcio Moraes", relata Nicolelis. "Não duvido de que ele possa ter apresentado algum trabalho envolvendo uso de transdutor infravermelho. Todavia, nosso trabalho, como demonstram os documentos remetidos ao senhor, dedicava-se a pesquisas usando luz infravermelha como fonte de controle de uma neuroprótese cortical desde 2006."

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Nicolelis e o diretor científico do IINN-ELS, Rômulo Fuentes, divulgaram cópias de e-mails trocados entre pesquisadores da Duke desde 2006, em que a ideia de acoplar sensores de infravermelho a cérebros de ratos já era discutida. O primeiro experimento de fato teria sido realizado em janeiro de 2010.

A carta assinada pelos sete ex-membros do Comitê Gestor do Incemaq também questiona o crédito dado ao IINN-ELS no trabalho que foi publicado no periódico Nature Communications. Segundo eles, a pesquisa foi toda produzida na Duke. "Utilizar a produção de um laboratório no exterior como justificativa para prestação de contas de um financiamento nacional tem grande potencial de comprometer o trabalho sério e sólido das agências de fomento brasileiras nas últimas décadas", afirma a carta. "A produção deve ser resultante do investimento em infraestrutura para geração de conhecimento, formação de recursos humanos e nucleação de grupos de pesquisa em território nacional."

O estudo que gerou a polêmica: Prótese permite que ratos sintam luz infravermelha

Nicolelis disse que a contribuição do IINN-ELS será explicada num próximo trabalho. Ele e Fuentes atribuem as críticas a um suposto complô liderado pelo neurocientista Sidarta Ribeiro, que estaria "totalmente obcecado com a ideia de assassinar a reputação do prof. Nicolelis".

Sidarta, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e um dos fundadores do IINN-ELS, rompeu com Nicolelis em agosto de 2011, sacramentando um "racha" que esvaziou quase que completamente o quadro de pesquisadores e alunos do instituto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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