Saiba o que fazer em caso de meteoro ou asteroide

Por Alessandro Greco - colunista do iG* | - Atualizada às

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Cientistas da Nasa que monitoram objetos próximos ao planeta desenvolvem relatório com dicas sobre o que fazer em caso de uma rocha vir em direção à Terra

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Ilustração mostra o asteroide Apophis passando perto da Terra

Na última sexta-feira (15), o asteroide 2012 DA14 passou a 27 mil quilômetros da Terra. A distância, menos de um décimo da distância que separa a Terra da Lua, deixou muita gente preocupada. Não que o 2012 DA14 tivesse alguma chance de colidir com a Terra, mas a pergunta que ainda não tem resposta é: o que fazer no caso de um asteroide vir de encontro ao nosso planeta?

Segundo o relatório “Defending Planet Earth”, publicado pelo Programa de Objetos Próximos à Terra da Nasa (NEO, na sigla em inglês), as ações vão depender do tamanho da rocha. A medida mais efetiva, no caso de objetos pequenos (dezenas de metros de diâmetro), é literalmente esvaziar a região do impacto - solução conhecida também como correr, e muito. Para o caso de objetos com tamanho na casa das centenas de metros de diâmetro, a melhor atitude seria enviar algo para colidir com ele e desviar a órbita do tal objeto.

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O problema é que esta é uma solução teórica que precisaria de anos para ser testada e executada com sucesso (e atualmente ninguém garante que ela funcionaria mesmo). Um asteroide que está nesta faixa de tamanho e chegou a preocupar os cientistas do NEO foi o Apophis. Detectado pela primeira vez em 2004, eles estimaram que havia o risco de 1 em 45 mil de ele se chocar com a Terra em 2029. Alguns cálculos depois, no entanto, os cientistas concluíram que não havia risco de colisão. Mas o mesmo Apophis irá passar novamente perto da Terra em 2036 e, para esta data, os cientistas não tem uma posição conclusiva. Eles estimam uma chance de 1 em 200 mil do Apophis colidir com a Terra. A possibilidade é mínima, mas o encontro faria um estrago razoável em nosso planeta.

Nada comparável, no entanto, ao caso extremo de objetos com quilômetros de diâmetro. Para este caso, segundo o relatório, não há defesa conhecida. O encontro de um deles com a Terra poderia causar extinções em massa, caso do objeto que teria varrido os dinossauros da Terra há 65 milhões de anos. A boa notícia é que eventos deste porte ocorrem, segundo o mesmo documento, a cada 100 milhões de anos. Fazendo as contas, restam cerca de 35 milhões de anos antes de um novo hecatombe ocorrer. A questão é que estamos falando de probabilidades. Ninguém garante que não poderia acontecer antes disso – ou depois. Foi exatamente para ficar sabendo de antemão quando um desses objetos estará na direção da Terra, que a Nasa criou o tal NEO  Olho no NEO!

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Em tempo: na mesma sexta-feira em que o 2012 DA14 passou a 27 mil quilômetros da Terra, um meteorito entrou na atmosfera terrestre, se desintegrou no ar e deixou cerca de mil feridos na Rússia, a maioria com machucados causados por estilhaços de vidros que quebraram devido ao deslocamento do ar causado por ele.

O detalhe interessante é que a chegada do 2012 DA14 foi anunciada com pompa e circunstância há mais de mês e a do meteorito pegou todo mundo de surpresa. O motivo é simples: o tamanho. O meteorito é muito pequeno, o que complica sua detecção.

*Alessandro Barros Greco é jornalista e engenheiro mecânico pela POLI-USP. Escreve sobre ciência desde 1998. Acredita que falar sobre ela ajuda as pessoas a viverem melhor. Foi o terceiro brasileiro a receber a bolsa Knight Science Journalism Fellowship do Massachusetts Institute of Technology (MIT)

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