Reconstituição de Ricardo III retoma curiosidade por celebridades históricas

Por Alessandro Greco - colunista do iG* | - Atualizada às

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Descoberta de ossada de monarca sob estacionamento na Inglaterra acabou com mistério de mais de 500 anos e reacendeu questões sobre a aparência de figuras da história

Getty Images
O rosto reconstituído de Ricardo III se assemelha a retratos do rei

Certas celebridades históricas têm em comum o mistério sobre a aparência física. Um dos casos mais famosos é o do rei da Inglaterra Ricardo III, o último da dinastia Plantageneta e também o último rei inglês a morrer em uma batalha. Até a semana passada, não se sabia onde estavam os restos mortais do monarca e, portanto não se podia reconstituir o seu rosto.

Sua história de vida ficou mais do que famosa na pena de William Shakespeare que a retratou na peça Ricardo III. Um retrato, diga-se, nada elogioso. Um rei cruel, usurpador e corcunda é basicamente a figura que emerge das páginas do bardo inglês. O rei corcunda também foi alvo de diversos filmes e interpretações memoráveis, além de quadros que o retratavam na época em que era monarca. Mas falta descobrir onde estava o corpo dele após a morte.

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Na semana passada, um exame de DNA confirmou que a ossada sob um estacionamento em Leicester era do monarca britânico, solucionando um mistério de 500 anos sobre seu local de sua morte.

Um dia após o anúncio, de que o esqueleto com crânio rachado e espinha curva era mesmo de Ricardo III. Pesquisadores apresentaram a reconstituição do rosto do rei. Eles recorreram à tecnologia para criar um modelo virtual do crânio do monarca e depois foram adicionadas à ele camadas de músculos e pele. O resultado foi então usado de base para criar um molde em plástico do rosto do monarca. Ficou simpático. Muito melhor do que o esperado (inconscientemente) para um usurpador cruel. Aliás, estas características nada positivas de Ricardo III são atualmente contestadas por historiadores que alegam que ela foi construída pela dinastia Tudor que sucedeu a Plantageneta no poder.

Outra celebridade histórica envolta em mistério quanto sua beleza ou feiúra é Cleópatra, rainha do Egito. Apesar dos esforços dos pesquisadores inclusive debaixo de água, seu corpo e o de seu amante, o general romano Marco Antônio, ainda não foram desmistificados - os dois se suicidaram juntos após serem derrotados por Otávio, o futuro imperador César Augusto. Até agora, nada se sabe, mas as buscas pelos célebres corpos de Cleópatra e Marco Antônio continuam.

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*Alessandro Barros Greco é jornalista e engenheiro mecânico pela POLI-USP. Escreve sobre ciência desde 1998. Acredita que falar sobre ela ajuda as pessoas a viverem melhor. Foi o terceiro brasileiro a receber a bolsa Knight Science Journalism Fellowship do Massachusetts Institute of Technology (MIT)

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