Floresta amazônica é mais resistente ao aquecimento global, diz estudo

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Equipe britânica afirma ser pouco provável que florestas tropicais se extingam por causa das mudanças climáticas

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Vista da floresta perto de Alta Floresta, Mato Grosso, Brasil

Pesquisadores britânicos chegaram a conclusão de que a floresta Amazônica é mais resistente ao aquecimento global do que se esperava. A boa notícia veio após uma série de modelos matemáticos que levou em conta um eventual aumento da emissão de CO2 por conta do maior uso de combustíveis fósseis, mais desmatamento e consequências de fenômenos climáticos como o El Niño e La Niña.

“É pouco provável que o aquecimento global vá extinguir a floresta Amazônica ou outra floresta tropical. Isto é uma boa notícia”, disse ao iG Peter Cox , professor de dinâmica do sistema climático da Universidade de Exeter, no Reino Unido e autor principal do estudo publicado esta semana no periódico científico Nature.

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De acordo com o estudo, para cada 1º C aumentado na temperatura dos trópicos são liberados 50 bilhões de toneladas de carbono. Algo bem menos expressivo que o previsto em estudos anteriores. "Felizmente, essa liberação de carbono é combatida pelos efeitos positivos da fertilização de dióxido de carbono no crescimento das plantas na maioria dos cenários do século 21, de modo que as florestas globais devem continuar a acumular carbono", disse Cox.

Para entender a relação entre florestas e dióxido de carbono na atmosfera é preciso levar em conta que as florestas são capazes de transferir carbono da atmosfera para sedimentos, onde fica estocado por séculos. É o fenômeno da fotossíntese, que faz com que plantas processem o dióxido de carbono (CO2) e água em compostos orgânicos, produzindo oxigênio (O2). Com isto os níveis recordes de gases causadores do efeito estufa – incluindo principalmente o dióxido de carbono – são reduzidos.

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Porém, com a morte das árvores, parte do dióxido de carbono na atmosfera não é absorvida, e ainda por cima uma quantidade extra do gás é liberada na atmosfera por causa da decomposição da árvore, o que pode piorar o aquecimento global.

Cox explica que o que difere o seu modelo dos anteriores, e que são muito mais catastróficos quanto ao aumento do aquecimento global, é que ele observou as mudanças climáticas ano a ano e não a média no longo prazo. A equipe de pesquisadores analisou a variação da concentração de dióxido de carbono na atmosfera e relacionou com o montante de carbono armazenado nas florestas tropicais. Com isto, eles descobriram que mesmo os modelos climáticos que previam o fim das florestas tropicais por causa das mudanças climáticas também tinham uma larga variação de ano para ano. Já os modelos em que as florestas tropicais eram menos sensíveis às mudanças climáticas apresentavam “uma variação mais realista” da variação de dióxido de carbono.

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Os autores também conseguiram avaliar esta relação até mesmo em anos considerados anômalos, como por exemplo, os anos com a presença dos fenômenos climáticos El Niño ou La Niña – quando o aquecimento ou esfriamento das águas do Pacífico alteram os padrões do clima em todo o mundo.

“Quanto mais liberamos CO2 no ar, seja por combustíveis fósseis ou desmatamento, mais temos aquecimento”, afirmou Cox. O pesquisador explica que esta relação permite prever o aquecimento global a partir da liberação de CO2. Porém, existem também outras variáveis, como por exemplo, a seca que atingiu a Amazônia entre 2005 e 2010. “Por causa da forte seca, causada em grande parte por causa do fenômeno El Niño, árvores morreram resultando em maior liberação de CO2. Porém no período de ocorrência da La Niña, pudemos observar que o armazenamento de CO2 é bem maior”, disse.

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