Estudo diz que extinção dos neandertais aconteceu antes do imaginado

Por AP |

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Novo método de datação coloca idade dos fósseis de Neandertal da Espanha, considerada seu último refúgio, como anterior à chegada do ser humano moderno na Península Ibérica

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Neanderthal Museum (Mettmann, Germany)/Divulgação
Menina encara estátua de neandertal em museu na Alemanha: nova datação torna improvável interação entre humanos e hominídeos na Espanha

As teorias sobre quando os últimos neandertais andaram sobre a Terra talvez tenham que ser revistas, de acordo com um estudo que sugere que suas extinção em seu último refúgio na Espanha aconteceu muito antes do que se imaginava anteriormente.

As datações de carbono 14 em fósseis encontrados em sítios neandertais colocavam os mais recentes como tendo 35.000 anos de idade. Mas pesquisadores australianos e europeus reexaminaram os ossos com um novo método, que filtra contaminações e impurezas, e descobriram que as ossadas têm cerca de 50.000 anos.

Se comprovado, o estudo lança dúvidas na ideia que seres humanos modernos e neandertais coexistiram -- e possivelmente até se miscigenaram -- por milênios, porque o Homo sapiens não teria chegado àquela área da Peninsula Ibérica antes de 42.000 anos atrás.

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"Os resultados de nosso estudo sugerem que existem grandes problemas com a datação dos últimos neandertais na espanha," disse Thomas Higham, vice-diretor da Unidade do Acelerador de Radiocarbono da Universidade de Oxford, na Inglaterra. "É improvável que os neandertais sobreviveram por mais tempo nesta área do que no resto da Europa continental".

O estudo, que foi publicado nesta segunda-feira (4) no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences, não exclui competamente a possibilidade de que os neandertais tenham vivido até 35.000 anos atrás. O problema é que o clima mais quente da Espanha degrada rapidamente uma proteína importante no processo de datação por carbono 14.

Os pesquisadores só conseguiram examinar ossos de dois dos 11 sítios neandertais conhecidos no país. Eles foram submetidos a um novo método, chamado "ultrafiltração". Ele remove as moléculas de carbono mais recentes que podem ter contaminado os ossos e fazê-los parecer mais jovens do que realmente são.

Este tipo de técnica normalmente rende datas mais antigas no carbono 14, disse Chris Stringer, pesquisador sênior do Museu de História Natural Britânico. "A ciência avança e a tecnologia também".

Stringer, que não esteve envolvido com o estudo, afirmou que as novas técnicas podem ser aplicadas em outros sítios espanhóis. "Enquanto isso não for feito, haverá uma grande interrogação sobre a possibilidade de uma sobrevivência tardia dos neandertais na região".

Se as ossadas em outros lugares também se mostrarem mais velhas, qualquer encontro entre neandertais e humanos teria que ter acontecido mais cedo do que se imagina, disse.

"Provas da Grã-Bretanha, Bélgica, França, Alemanha e Itália todas apontam para uma presença de seres humanos modernos antes de 40.000 anos atrás," explicou Stringer. "A nova cronologia sugere que qualquer interação entre os últimos neandertais e os primeiros homens modernos também vai ser adiantada para antes de 40.000 anos atrás".

Também existe a possibilidade de que os hominídeos tenham sobrevivido por mais tempo em outros lugares da Europa, disse a coautora Rachel E. Wood, da Universidade Nacional Australiana, em Canberra.

"Temos outras áreas que podem ter sido refúgios para a espécie, como o Cáucaso, mas as datas de carbono 14 destes locais também se mostraram problemáticos".

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