Cientistas terminam moratória de estudos de gripe aviária

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Pesquisas sobre o vírus H5N1 foram embargadas no início do ano passado por conta de discussões sobre riscos de bioterrorismo com a publicação de seus resultados

EFE
Agentes da vigilância sanitária da Indonésia jogam ave infectada pela gripe aviária ao incinerador em 2010

Um grupo internacional de cientistas que interrompeu ano passados seus estudos controversos com o vírus mortal da gripe aviária afirmou que está reiniciando seus trabalhos, ao mesmo tempo em que alguns páises adotam novas regras para garantir a segurança destas pesquisas.

A repercussão começou quando os dois laboratórios -- um na Holanda e outro nos Estados Unidos - anunciaram que conseguiram criar uma versão do vírus de transmissão mais fácil. Isso iniciou um debate sobre as consequências desta pesquisa e se ela poderia ser usada por terroristas, e os pesquisadores voluntariamente concordaram em interromper seu trabalho em janeiro do ano passado -- e mais de trinta dos maiores especialistas em gripe aviária também entraram no embargo.

Nesta quarta (23) os mesmos cientistas anunciaram que a moratória acabou porque a pausa nas pesquisas havia cumprido sua função, que era de dar tempo ao governo americano e outras autoridades mundiais para determinar como seriam supervisionadas pesquisas envolvendo microorganismos de alto risco.

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Alguns países já emitiram novas diretrizes, enquanto os Estados Unidos está terminando seu conjunto de regras, um processo que Anthony Fauci, do Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) disse que deve estar completo em algumas semanas.

Em cartas publicadas em conjunto pelos periódicos Science e Nature nesta semana, os cientistas escrevem que quem cumprir os requisitos de seu país tinha o dever de reiniciar os estudos de como o vírus da gripe aviária poderia se tornar uma ameaça ainda maior aos seres humanos, com potencial de ser a próxima pandemia. Até agora, o vírus, conhecido como H5N1, se espalha principalmente entre frangos e outras aves e raramente infecta pessoas.

"O risco já existe na natureza. Não fazer a pesquisa nos coloca em perigo," disse Yoshihiro Kawaoka, da Universidade de Wisconsin-Madison. Ele e Ron Fouchier (considerado um dos dez cientistas de 2012 pela Nature), da Universidade Erasmus, na Holanda, criaram em estudos separados as novas cepas, que se transmitem pelo ar.

A controvérsia se inflamou há um ano, quando autoridades dos Estados Unidos, incitados pelas preocupações de um comitê de biossegurança, pediu aos dois laboratórios que não publicassem seus resultados. Eles tinham medo que terroristas usassem a informação para criar uma arma biológica. De maneira geral, os cientistas discutiam se criar novas variantes de doenças seria uma boa ideia, e se sim, como prevenir acidentes de laboratório com estas amostras.

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No fim, a vontade dos pesquisadores prevaleceu: o governo decidiu que os dados não impunham nenhuma ameaça imediata de terrorismo, e os dois trabalhos foram publicados há oito meses.


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Fouchier afirmou que suas novas pesquisas começarão em poucas semanas na Holanda, com financiamento europeu, e terão como objetivo descobrir exatamente quais mutações são as maiores ameaças. Ele disse que o trabalho pode ajudar os cientistas a acompanhar como a gripe aviária evolui no ambiente selvagem.

Os pesquisadores financiados pelos Estados Unidos, no entanto, terão que esperar até que as diretrizes sejam finalizadas. Mas o NIH pagou pela pesquisa original, que teria sido aprovada pelas novas regras, afirmou Fauci à AP. Elas criaram mais uma etapa de revisão em estudos de alto risco, para garantir que eles valham a pena cientificamente e que preocupações sobre bioterrorismo sejam atendidas em primeiro lugar, explicou.

Se estas regras estivessem valendo um ano atrás, elas teriam evitado todo o debate, disse Fauci: "Nossa resposta teria sido, sim, analisamos cuidadosamente e os benefícios superam os riscos, ponto final."

(Com informações da AP) 

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