Novos estudos desvendam como o estresse pode gerar traumas

Por iG São Paulo |

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Pesquisas feitas em ratos mostraram o mecanismos que fazem com que o estresse altere o comportamento de um indivíduo

Images © S. Karaki and F. Tronche
Pesquisadores analisaram mecanismos da mudança comportamental em ratos estressados

Dois estudos publicados esta semana elucidam os mecanismos neurológicos que resultam em mudanças de comportamento ou de emoções após um período de estresse. As pesquisas envolvem questões do ambiente e fatores genéticos para explicar a atuação e a ativação dos glicocorticóides no cérebro e como ele influencia o comportamento. A descoberta de que estes hormônios desempenham um papel tão importante nos circuitos neuronais no cérebro ajuda no desenvolvimento de novos tratamentos para pacientes que sofreram traumas.

Uma equipe de pesquisadores da França conseguiu mostrar que os glicocorticóides (chamados de hormônios de estresse) podem influenciar os caminhos neurais e alterar o comportamento dos roedores. Em ratos adultos, a ativação dos receptores destes compostos nos neurônios receptores de dopamina induzem a ansiedade e aversão social. Sem estes receptores nos neurônios, ratos que tiveram o movimento impedido por outros ratos agressivos da mesma jaula, voltaram a ter um comportamento social normal após o episódio.

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Uma equipe de pesquisadores dos Estados Unidos identificaram que existe uma relação entre os níveis do hormônio do estresse durante a adolescência e mudanças nos genes. Os cientistas da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, descobriram que existe um mecanismo pelo qual fatores ambientais, como hormônios do estresse, podem afetar a fisiologia do cérebro, resultando até em doenças mentais.

“Mostramos em ratos que o estresse provocado na adolescência pode afetar a expressão dos genes que codificam neurotransmissores relacionados com a função mental e doenças psiquiátricas. Enquanto acredita-se que os genes estão envolvidos no desenvolvimento da doença, minha intuição é que fatores ambientais são extremamente importantes para este processo”, disse em um comunicado o autor principal do estudo Akira Sawa, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

No estudo, eles descobriram que apenas ratos com predisposição genética para doenças mentais quando isolados por um período de três semanas durante o período equivalente a adolescência em roedores aparentavam problemas como hiperatividade e depressão. Os animais que não tinham esta predisposição genética não apresentaram problemas após o período de isolamento.

As análises mostraram que os animais que apresentaram problemas tinham níveis de cortisol elevados e baixos níveis de neurotransmissores de dopamina em regiões do cérebro relacionadas com funções de controle emocional e cognição. Estudos prévios mostraram que existe relação entre estes índices com a ocorrencia de esquizofrenia e depressão. 

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