Estudos com voluntários mostram riscos de permanências longas no espaço

Por iG São Paulo |

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Pesquisas com "astronautas" do projeto Marte 500 apontam problemas para dormir e variação na taxa de sódio do sangue de quem fica muito tempo confinado

Tripulação do Marte 500 posa com óculos vermelhos. Foto: ESAPesquisadores testam os trajes espaciais que serão usados na parte da "viagem" que se passará na superfície marciana. Foto: © APOs tripulantes se preparam para um eletroencefalograma durante a missão. Foto: ESALuzes azuis foram acessas dentro da cápsula para readaptar integrantes do projeto à luz do Sol. Foto: AFPJornalistas acompanham a caminhada espacial simulada do centro de controle da missão, na Rússia. Foto: AFPO simulador do projeto Marte500, instalado em um centro de pesquisa em Moscou. É ali que ficarão os astronautas durante 520 dias. Foto: AFPA porta do simulador é fechada. Os tripulantes ficarão 520 dias fechados numa cápsula sem janelas para experienciar a sensação de uma viagem a Marte. Foto: © APA tripulação, a partir da esquerda: Alexei Sitev, Wang Yue, Romain Charles, Mikhail Sinelnikov, Diego Urbina e Alexei Smoleyevsky. Foto: AFPAlexei Sitev beija a esposa enquanto os outros tripulantes da missão se preparam para entrar no simulador, em Moscou. Foto: © APIntegrantes do projeto Marte-500, que passarão um ano e meio num simulador das condições de vida de Marte. Foto: EFE

Astronautas em longas viagens espaciais não conseguem dormir o suficiente e com o passar do tempo, a falta de sono pode tornar exploradores espaciais em seres muito preguiçosos. Além disso, a longa permanência no espaço resulta em uma flutuação da taxa de sódio no corpo e consequentemente, da pressão arterial. Foi o que concluíram pesquisadores de universidades americanas com base em dados obtidos no monitoramento dos seis voluntários que participaram do programa Marte 500 - simulação de 520 dias de uma viagem ao planeta vermelho feita em Moscou.

Entenda o que foi o projeto Marte 500 

Os dois estudos mostram que o efeito do confinamento e o isolamento de uma viagem espacial pode ser uma importante barreira a ser quebrada para o sucesso das viagens interplanetárias previstas para os próximos anos. Até agora o recorde de tempo no espaço pertence ao russo Valery Polyakov, que ficou 14 meses na estação espacial Mir, de 1994 a 1995.

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“O sucesso do voo interespacial tripulado, previsto para este século, vai depender da habilidade dos astronautas de se manterem confinados e isolados da Terra por mais tempo que viagens anteriores”, disse David F. Dinges, do departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina Perelman e um dos autores do estudo sobre sono, publicano esta semana no periódico científico PNAS (sigla em inglês para Proceedings of National Academy of Science)

No Marte 500, seis voluntários ficaram confinados em uma maquete de espaçonave nos arredores de Moscou em uma simulação de viagem de 17 meses. A análise mostrou que os voluntários ficaram letárgicos em um estado parecido a pássaros e ursos durante o inverno.

Quatro apresentaram problemas na qualidade do sono, além de alterarem os intervalos entre o sono e o estado de alerta, sendo que um teve problemas leves e o sexto quase não foi afetado. A tripulação também apresentou aumento do sedentarismo ao longo da viagem. Dinges afirma que não foi possível concluir se a letargia era resultado da falta de sono ou se era também causado por outros fatores como falta de privacidade, e a distância da família por tanto tempo.

Taxa de sódio pouco previsível
O monitoramento dos voluntários também mostrou que a taxa de sódio no sangue varia de forma independente ao consumo de sal. Pesquisadores da Escola de Medicina Vanderbilt, nos Estados Unidos, observaram pela primeira vez que ocorre uma flutuação em um período de sete dias, independente do consumo de sal. A taxa de sódio é importante para o controle da pressão arterial e as funções musculares.

A descoberta, feita graças ao monitoramento dos voluntários por um longo período, demonstra que o sódio é armazenado no corpo. “O estudo salienta a importância de medir a excreção de sal na urina para estimar o consumo de sal", disse Jenas Titze autor do estudo publicado no periódico científico Cell.

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