Retrospectiva 2012: o ano em que Marte voltou ao imaginário humano

Uma ousada operação foi colocada em prática pela Nasa para que o homem conseguisse, ainda que à distância, descobrir mais sobre o planeta vermelho

iG São Paulo | - Atualizada às

A madrugada do dia 5 para o dia 6 de agosto foi tensa para os técnicos do Laboratório a Propulsão a Jato em Pasadena, na Califórnia, seus familiares, amigos e mais centenas de milhares de pessoas que acompanharam em eventos ou pelo site da Nasa a transmissão do pouso do jipe-robô Curiosity em Marte.

Veja imagens de Marte 

A estratégia, que envolvia cabos e um guindaste aéreo, além dos chamados “sete minutos do terror”, nos quais o controle da missão da Terra ficaria sem contato algum com o robô em Marte, trouxe ainda mais suspense para um projeto que finalmente retornaria o ser humano (ainda que via uma máquina) ao planeta vermelho quatro anos depois da chegada da sonda Phoenix, em 2008. Os outros jipes-robôs Spirit e Opportunity estão em Marte desde 2004.

Veja vídeo do pouso em tempo real

Dê uma volta por Marte 

Veja as fotos do Curiosity: 


O propósito do Curiosity é investigar o solo e atmosfera da cratera Gale, em busca de elementos químicos que suportem vida, como água e compostos a base de carbono. A missão tem a duração prevista de dois anos, mas é possível que se estenda por mais tempo, como é o caso do Opportunity , que continua ativo. Seu robô gêmeo Spirit passou por uma série de problemas técnicos e acabou desativado em 2010.

Veja toda a cobertura do Curiosity

O que se seguiu nos meses seguintes foi um frenesi de mídia em cima de tudo que dissesse respeito ao Curiosity: seus primeiros testes de equipamento , as fotos , a transmissão de uma canção de Marte para a Terra e seus engenheiros viraram ídolos na Internet. As descobertas em si estão indo um pouco mais devagar, na mesma velocidade que o robô usa para se dirigir a seu destino, o Monte Sharp.

Veja toda a tecnologia do Curiosity

Em suas curtas andanças, o Curiosity descobriu um leito seco de rio , o que prova que o planeta já teve água em abundância, mas sua primeira análise química do solo da cratera Gale não trouxe provas conclusivas de matéria orgânica em Marte.

A missão é importante também pelo que ela simboliza: a esperança de um dia a humanidade conseguir visitar o planeta. Todas as agências espaciais têm este objetivo: os russos fizeram há pouco tempo um ensaio em Terra do que seria uma missão tripulada a Marte , isolando uma equipe de astronautas, embora a ESA (agência espacial europeia), mais contida, por enquanto só anuncie seus planos de veículos robóticos em Marte. Já uma empresa holandesa prepara seu voo tripulado (só de ida) para 2023.

Apesar de todas as incertezas , a Nasa faz planos mais ambiciosos: espera que até 2030 consiga mandar uma missão tripulada ao planeta vermelho e até já planeja seu cardápio . Mas após os cortes de orçamento na agência, por enquanto só estão certos uma nova sonda em 2016 e um novo robô , feito com as partes sobressalentes do Curiosity, em 2020.

O Curiosity com certeza injetou novo ânimo na Nasa, e a popularidade do Curiosity fez com que se voltasse a falar em voos tripulados, após um período de apostas em voos com veículos robóticos e sondas . O problema disso é o custo: o Curiosity, que sofreu com atrasos e estouros de orçamento, saiu aos cofres públicos dos Estados Unidos por cinco bilhões de reais.

O custo de levar um único ser humano a Marte seria muito mais alto. Mas não importa. De acordo com as palavras do diretor-geral da Nasa Charles Bolden em 6 de agosto, “as rodas do Curiosity começaram a traçar o caminho para as pegadas humanas em Marte”. Se depender da vontade dos cientistas, em algumas décadas estaremos lá. 

Conheça toda a tecnologia do Curiosity:




    Leia tudo sobre: curiositymartenasaespaçoretrospectiva2012

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG