Astrônomos afirmam que taxa de natalidade de estrelas está reduzindo drasticamente

Estrelas jovens são vistas na nebulosa de Órion
NASA/ESA
Estrelas jovens são vistas na nebulosa de Órion

As estrelas que nós temos estão morrendo, e não estamos criando novas como antes. Um grupo de astrônomos britânicos e americanos relatou recentemente que a taxa de natalidade de estrelas no universo diminuiu vertiginosamente e continuamente ao longo dos últimos 11 bilhões de anos.

O universo hoje está produzindo estrelas a apenas um trigésimo da velocidade com que as produzia quando estava no seu auge, nos luxuriosos primórdios em que as protogaláxias, puro gás e espuma, saltitavam por aí como cachorrinhos, colidindo e se fundindo, gerando estrelas novas, brilhantes e incandescentes.

Em um comunicado à imprensa emitido pela Sociedade Astronômica Real, o astrônomo David Sobral, da Universidade de Leiden, na Holanda, disse: "Podemos dizer que o universo tem sido vítima de uma crise muito séria por muito tempo: a produção originária do PIB cósmico é hoje apenas três por cento do que costumava ser no auge da produção de estrelas". Sobral e seus colegas publicaram um artigo a respeito no Boletim Mensal da Sociedade Astronômica Real.

Eles calcularam que a taxa atual de consolidação de "ingredientes de estrelas" na forma de estrelas equivale a cerca de um milhão de toneladas por ano, por ano-luz cúbico. O sol tem cerca de 22 trilhões de trilhões de toneladas.

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Fundamentalmente, essa fadiga cósmica não é algo realmente novo. Outras pesquisas, incluindo uma conduzida por Alan Heavens, da Universidade de Edimburgo, há alguns anos, chegaram a conclusões semelhantes. Mas esse novo estudo trouxe um detalhe que chamou a minha atenção.

Segundo Sobral e seus colegas, se esse declínio na criação de estrelas continuar, isso significará que o universo já produziu 95 por cento da massa de estrelas que irá produzir em toda a sua história. Ao longo da eternidade, o cosmos – assim como Palm Springs, na Califórnia, repleta de astros aposentados – será dominado por estrelas mais e mais velhas.

Não há motivo para um alarme imediato. As estrelas têm uma vida de milhões ou bilhões de anos, dependendo de sua massa; as maiores desaparecem rapidamente, enquanto as menores podem sobreviver como anãs vermelhas por pelo menos um trilhão de anos. O sol, uma estrela de tamanho médio e meia-idade, deve viver por mais cinco bilhões de anos.

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A nossa galáxia, a Via Láctea, além disso, ainda está ocupada produzindo estrelas a partir de nuvens densas de gás em lugares como a Nebulosa da Águia, lar dos famosos Pilares da Criação. Se você já se lamentou por não tiver vivido a Paris da década de 1920 ou a Itália da Renascença, pelo menos pode se regozijar no fato de que vivemos a Era de Ouro da Via Láctea.

Para parafrasear Bob Dylan, ainda não está escuro, mas vai ficar.

As notícias me levaram de volta aos dias de escuridão vividos em novembro nas montanhas de Catskills, onde eu morava. Quando a floresta de repente fica mais clara e mais transparente porque os galhos estão nus, o sol revela troncos de árvores prateados. O chão fica luminoso, atapetado com folhas vermelhas e douradas que estão prestes a ser enterradas pela neve.

A ideia de que 95 por cento das estrelas 

que virão a brilhar na história do universo já brilharam me lembrou de quando li que seis por cento de todos os seres humanos que já existiram estão vivos hoje. Essa segunda estatística é uma consequência do crescimento exponencial da raça humana (e, se ela continuar crescendo, pode, eventualmente, vir a colocar em xeque a ideia de reencarnação).

Talvez você pense que isso não tem nada a ver com as estrelas. Mas os filósofos e cosmólogos se perguntam se existe resposta para por que, onde e em que era estamos vivendo.

A história que eles gostariam de contar em forma de desenho animado seria assim: ao surgir com o Big Bang há 13,7 bilhões de anos, o universo consistia em hidrogênio, hélio e um pouco de lítio. Nosso corpo é feito de oxigênio, carbono, nitrogênio e ferro que tiveram de ser sintetizados em reações termonucleares em gerações sucessivas de estrelas que explodiram e deixaram sementes no espaço e para futuras estrelas com elementos mais pesados.

Isso levou tempo. A Via Láctea nasceu perto da época mais fecunda de produção de estrelas, cerca de 10 bilhões de anos atrás. O sol e o sistema solar, com sua mistura inebriante de elementos adequados à vida, surgiram há 4,5 bilhões de anos. O processo evolutivo levou mais 3,8 bilhões de anos para criar os humanos, supostos príncipes do cosmos. Poderia isso tudo ter acontecido mais rapidamente para outros seres em outro lugar? Ninguém sabe.

Ninguém sabe ao certo, tampouco, por que a produção cósmica de estrelas se desacelerou, dizem os astrônomos.

Nos últimos anos, eles encontraram indícios de que alguns dos nativos mais violentos do cosmos modernos, como os buracos negros e as explosões de supernovas, podem criar ventos fortes que afastam o gás das galáxias, impedindo-o de se condensar na forma de estrelas. Na galáxia NGC 1275, foi descoberto um buraco negro que estava "cantando", ou expelindo ondas de pressão, na frequência de um si bemol a 27 oitavas abaixo do dó central, impedindo assim a formação de estrelas em grande parte do aglomerado Perseus, que compreende centenas de galáxias.

Alguns teóricos, especialmente Freeman Dyson, do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, sugeriram formas pelas quais a vida pode continuar após o crepúsculo das estrelas, por meio da extração de energia de buracos negros, por exemplo. Mas isso foi antes de os astrônomos descobrirem que a energia escura – que parece ser uma espécie de antigravidade cósmica – está acelerando a expansão do universo.

Se esse processo continuar, o futuro realmente deverá ser sombrio. Por fim, o universo irá se expandir tão rapidamente que a maioria das outras galáxias irá desaparecer para sempre. Por fim, até mesmo os átomos poderão ser destruídos.

Hora de dormir.

Às vezes, o universo me parece um desses brinquedos de humor negro: uma caixa com um botão. Quando pressionamos o botão, uma mão sai de dentro dele 14 bilhões de anos depois e desliga o brinquedo.

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