Cientistas franceses analisaram fotos de casais, com pelo menos um filho, para determinar se a semelhança nos traços do rosto influencia na escolha dos parceiros

AFP

Cor dos olhos, dos cabelos, mas também as covas no rosto... os homens são atraídos pelas mulheres que se parecem com eles, concluiu um estudo feito por cientistas franceses.

Inúmeras pesquisas já foram feitas para determinar as características que fazem uma mulher ser fisicamente atraente. A maioria dos estudos se concentrava em dados ligados às taxas de hormônios e à fertilidade (quadril largo, etc.).

Pesquisadores do Instituto de Ciências da Evolução de Montpellier (Isem) foram na contramão dessa crença, interessados em caraterísticas que não apresentam nenhuma vantagem particular em termos de seleção genética, como a cor dos olhos, o volume dos lábios ou a largura das sobrancelhas.

Os cientistas do CNRS, da Universidade de Montpellier 2 e do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento(IRD) buscavam avaliar duas hipóteses evolutivas, explicou o CRNS em comunicado.

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A primeira é a homogamia, um fenômeno observado em várias espécies animais que faz com que alguns indivíduos tenham a tendência em buscar parceiros que lhes sejam geneticamente próximos, ou, em outras palavras, que se pareçam com eles.

A segunda hipótese é a "incerteza de paternidade". "Os homens teriam tendência a preferir traços recessivos nas mulheres. Assim, um homem preferiria os olhos azuis ou os lábios finos, que são características recessivas em relação aos olhos marrons e aos lábios grossos", permitindo que reconheçam nos filhos os próprios traços genéticos.

Os pesquisadores do Isem pediram primeiramente à uma centena de homens para escolher entre fotos de rostos femininos os que lhes seriam mais atraentes.

Os resultados, publicados na revista americana PLoS One, mostraram que os homens escolhem geralmente os rostos com os quais eles compartilham de alguns traços.

Os pesquisadores também analisaram as fotos de casais reais, com pelo menos um filho, para determinar se estas preferências genéticas influenciam a escolha do parceiro.

Os resultados mostraram de novo que os casais têm mais traços em comum do que dois indivíduos escolhidos ao acaso.

Nada, porém, confirmou a hipótese da "incerteza de paternidade".

A equipe do Isem pretende agora continuar estudando a importância da homogamia na escolha de um parceiro sexual, incluindo se a descendência de um casal geneticamente parecido apresenta alguma vantagem evolutiva. Os pesquisadores gostariam de saber também se o fenômeno é local, único ao Ocidente, ou se pode ser observado em outras culturas.

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