Telescópio detecta grupos de galáxias ligados por 'ponte' de gás quente

Astrônomos da Agência Espacial Europeia encontraram filamento de gás a 80 milhões de graus Celsius, que une dois clusters a 10 milhões de anos-luz da Terra

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Imagem óptica do Telescópio Planck mostra a "ponte" de gás unindo os dois grupos de galáxias

O telescópio espacial Planck descobriu pela primeira vez, de forma conclusiva, uma "ponte" de gás quente que liga um par de grupos de galáxias, anunciou na terça-feira (20) a Agência Espacial Europeia (ESA).

Os astrônomos detectaram um filamento de gás que liga os dois clusters de galáxias Abell 399 e Abell 401, a mais de 10 milhões de anos-luz, a uma temperatura de 80 milhões de graus Celsius.

O satélite Planck foi lançado em 2009 para analisar a luz fóssil que o Big Bang produziu há mais de 13 bilhões de anos.

Seus resultados confirmam dados precedentes do satélite de observação de raios-X XMM-Newton da ESA, que sugeriam a presença de gás quente, não só dentro dos clusters de galáxias, mas também entre eles. O sinal não era então suficiente para concluir que houve uma verdadeira detecção.

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Os resultados do Planck se baseiam na observação da marca característica deixada pelo gás quente na luz fóssil, um fenômeno conhecido como "efeito Sunyaev-Zel'dovich", nome de um de seus descobridores.

Este efeito já foi usado pelo Planck para detectar os próprios clusters de galáxias, mas fornece ainda um meio de detectar filamentos frágeis de gás que poderiam conectar clusters entre eles.

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No Universo primordial, filamentos de matéria gasosa teriam invadido o cosmos em uma tela gigante, com clusters que se formavam nos nós mais densos.

Grande parte deste gás não foi detectada ainda, mas os astrônomos pensam que podem encontrá-lo entre clusters de galáxias em interação, onde os filamentos estão comprimidos e aquecidos, fazendo com que sejam mais fáceis de detectar.

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