Primatas também passam por crise da meia-idade, diz estudo

Queda de bem-estar emocional no fim da idade adulta e início da velhice acontece também com chimpanzés e orangotangos em cativeiro

iG São Paulo |

AP
Chimpanzés em centro de reabilitação de primatas na África do Sul: animais com o mesmo padrão de felicidade de humanos

Um estudo publicado nesta segunda-feira (19) afirma: crise da meia-idade pode não ser coisa só de gente ou um mal da vida moderna. Ela acontece também com alguns dos animais mais próximos dos seres humanos, grandes primatas como chimpanzés e orangotangos.

“Não, eles não compram carros esportivos,” brinca Andrew Oswald, professor de economia da Universidade de Warwick, na Inglaterra, que liderou a pesquisa publicada na edição desta semana do periódico Proceedings of the National Academy of Sciences. Mas de acordo com seu estudo, os animais em cativeiro sentem a mesma baixa de bem estar emocional quando chegam à meia idade que os seres humanos experimentam.

Isto sugere que o descontentamento da meia-idade pode ser uma característica evolutiva, em vez de resultado dos problemas da vida moderna.

Vários estudos mostram que a felicidade em seres humanos adultos tende a seguir um certo padrão entre os 20 e 70 anos de idade: ela começa alta, cai ao longo dos anos, para atingir seu ponto mais baixo perto dos 50 anos, e volta a subir até chegar a outro pico aos 70 anos, formando, no gráfico, um formato de U. Alguns pesquisadores questionam estes resultados, mas para Oswald, o mistério é o que causa este padrão. “É um dos grandes padrões da vida humana. Todos nós vamos passar por ele, então a pergunta é: ‘o que explica isso?’”

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Quando o pesquisador descobriu que havia uma linha de pesquisa que media bem-estar em primatas, ele decidiu investigar se este padrão podia se estender a outras espécies. Ele e os coautores do estudo reuniram dados sobre 508 primatas em zoológicos e centros de pesquisa nos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Singapura e Japão. Cuidadores e outros observadores preencheram um questionário para avaliar o bem-estar dos animais, com perguntas como o humor dos macacos, seu prazer em interações sociais e o quanto eles conseguiam alcançar suas metas. Os avaliadores tinham que responder até o quão felizes eles seriam se fossem os primatas por uma semana.

Os resultados mostraram um padrão em U, semelhante ao do ser humano, ajustado para a expectativa mais curta de vida dos primatas.

“Achamos o padrão para estas criaturas, que não têm que trabalhar, não sofrem com casamento nem tem prestações de casa a pagar,” disse Oswald. “É como se este padrão estivesse impregnado na nossa biologia, em vez de ser um resultado da experiência humana”. Mas como primatas têm vida social, “isto também pode ser uma característica humana que dividimos com nossos primos. Mas o estudo repele a ideia deste padrão como algo claramente humano.”

Oswald reconhece que ainda não está clara qual a compensação evolutiva da crise da meia-idade. “Talvez isso ajude os pais de um grupo a serem inquietos, e procurarem novos lugares para a nova geração ocupar e procriar”, disse.

Frans de Wall, especialista em comportamento de primatas na Universidade Emory, alertou para o preconceito quando se avalia a felicidade destes animais, mas ele disse acreditar que os resultados estariam intuitivamente corretos e que a ideia de influência biológica neste padrão humano uma possibilidade interessante. Mesmo outros pesquisadores que questionam estatisticamente o padrão em U da crise da meia-idade, como Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, disse que não poderia descartar os resultados em macacos da mesma maneira. “Não sei ao certo o que isto significa,” disse. “Acho os resultados muito intrigantes. Talvez ele inicie mais estudos sobre este padrão, tanto em homens quanto em macacos”.

(Com informações da AP)

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