Colocando lembranças boas no lugar das ruins

Pesquisadores descobriram dois modos que o cérebro usa para lidar com uma memória indesejada: ou a suprime ou colocar uma lembrança positiva no lugar

The New York Times |

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Pesquisadores descobriram como o cérebro se livra de uma lembrança ruim: muitas vezes, colocando uma boa em seu lugar

A maioria das pessoas possui um ou dois momentos dos quais prefeririam não se lembrar. Pesquisadores relatam em um estudo recente que o cérebro possui duas formas opostas de lidar com essas lembranças.

A primeira consiste em simplesmente retirar da mente a recordação. A segunda consiste em colocar outra recordação em seu lugar.

Tomemos o caso de uma briga com um ente querido, afirmou Roland Benoit, neurologista cognitivo da unidade de cognição e ciências cerebrais do Conselho de Pesquisas Médicas, em Cambridge, Inglaterra.

"As pessoas não querem pensar nisso porque desejam tão somente continuar vivendo suas vidas", afirmou Benoit. "A pessoa pode retirar a lembrança da mente de algum modo, ou tentar pensar em outra coisa, como, por exemplo, na linda viagem de férias que passaram juntos na França."

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Benoit e seus colegas pediram aos participantes do estudo que relacionassem a palavra "praia" com a palavra "África". Em seguida, os cientistas pediram a um grupo que evitasse pensar nas duas palavras juntas. A outro grupo eles pediram que começassem a pensar na palavra "snorkel", associada à palavra "praia" e em vez da palavra "África".

Os participantes realizaram exames de ressonância magnética funcional e os pesquisadores descobriram que, no grupo que substituiu uma lembrança por outra, o córtex pré-frontal trabalhou em conjunto com o hipocampo, área do cérebro associada a recordações conscientes. Contudo, quando uma recordação indesejada é simplesmente suprimida ou ignorada, o córtex pré-frontal inibe o funcionamento do hipocampo.

Pessoas saudáveis talvez usem os dois métodos alternadamente, afirmou Benoit, e as duas técnicas parecem ser igualmente eficazes. Benoit e seus colegas relatam as descobertas na edição atual do periódico Neuron.

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