Afinidade de besouro com esterco mantém sua temperatura

Inseto usa bolas de esterco não só como proteção e alimento, mas também para evitar o superaquecimento do corpo nas savanas africanas

The New York Times |

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As bolas de esterco destes besouros africanos têm funções variadas

O besouro do esterco ( Scarabeus sacer ) das savanas da África do Sul (também conhecido como rola-bosta) tem como característica o ato de rolar bolas de esterco, muito apreciadas pelo animal, para colocá-las em locais protegidos e distantes da concorrência. Essas bolas de esterco fresco e úmido contêm líquidos nutritivos que servem de alimento para o besouro. Contudo, os pesquisadores descobriram outra utilidade das bolas: é possível que também mantenham o besouro resfriado.

Quando, ao atravessar a areia quente, as patas da frente e a cabeça do besouro superaquecem, ele para e sobe na bola de esterco. "Eles tocam a cabeça com as patas da frente e também encostam seu aparelho bucal nas patas da frente", afirmou Jochen Smolka, especialista em neuroetologia da Universidade de Lund, Suécia, e um dos autores do estudo. "É muito provável que, ao fazer isso, eles regurgitem líquidos para se resfriar", afirmou.

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As descobertas estão publicadas no periódico Current Biology.

O cuidado com as patas acontece apenas nas horas mais quentes do dia, afirmou Smolka. A equipe de Smolka descobriu que os besouros que se deslocavam por solo quente subiam sete vezes mais nas bolas de esterco que besouros que se deslocavam sobre o solo frio.

Os besouros obedeciam a um ciclo que consistia em: rolar a bola durante seis a sete segundos, subir nela para cuidar das pernas por seis segundos e depois voltar a rolá-la.

A temperatura do solo da savana pode ultrapassar 60° C e a temperatura das patas do besouro aumentava aproximadamente 5,5 °C quando fazia muito calor. A bola de esterco, porém, permanece fria, medindo entre 30° C e 35° C.

Para realizar o estudo, Smolka e seus colegas aplicaram silicone nas patas dianteiras de alguns besouros para mantê-las resfriadas e descobriram que os besouros com o material estavam menos propensos a subir nas bolas de esterco. Os pesquisadores não conseguiram confirmar se os besouros regurgitam líquidos e aplicam em seu corpo, mas "essa é a próxima etapa", afirmou Smolka.

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